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quinta-feira, abril 09, 2009

Bom dia.

O sol teimava em entrar pelos buraquinhos da persiana,
Tocando-me nos olhos, acariciando-me cada pestana…
Mas só me apetecia dormir,
Ficar ali, sem sorrir,
Até não haver mais dias densos,
Com problemas, medos os sustos intensos!
Apetecia-me esquecer tudo o que fui,
Despedaçar cada pedaço passado que em mim flui.
Apetecia-me acordar só no futuro,
Sem ultrapassar cada obstáculo ou cada muro,
Encontrar-me já nesse espaço onde mora o sonho,
A vontade, a ilusão, o desejo risonho.


Mas estava ali deitada,
E, na insistência do sol em ser dia, acordada.
Vencida pela teimosia da manhã clara,
Levantei lentamente a cabeça, rabugenta, com má cara.
Então, de súbito, de rompante,
Saltou-me para cima o caniche, triunfante,
Que, ante a certeza de um novo dia,
Com entusiasmo, a cara me lambia.
Perante tão inesperado cumprimento, encantada,
Soltei uma gargalhada…
Desbloqueei toda a dor, a tristeza,
Sentindo, com toda a certeza,
Que eu sou vida e amor.



Abri a janela e vi,
Com o cão que, no meu colo, sempre “sorri”,
A alegria da manhã presente,
Agradeci o novo dia, contente.
Agradeci também o ontem, o amanhã…
A realidade da nova manhã!


Dinamene

2 comentários:

didium disse...

Dinamene,

E é assim que teremos de transformar o nosso despertar, às vezes mais penoso.
Belo poema!
Beijos e um lindo dia para ti!

G. Ludovice disse...

Contra factos não há argumentos.
Uma lambidela de um ser de outra especie é suficiente, para alterar a visão que temos da nossa manhã.
Encontar ou deixar-se encontrar por essas simplicidades, é quase um assunto de vida ou morte. :)

bj