quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

O silêncio da palavra

Waves of Silence I
Tom Weber
Difícil ouvir-te
no silêncio.
Mudei de posição,
abri a janela,
entrou o frio
em murmúrio,
mas não a tua voz.
Volto ao princípio,
atenta me mantenho
e nada ouço.
Vigio o meu pensamento,
pronto em texto,
destrocado em palavras,
à espera,
em silêncio, do sinal,
afinal, da tua voz!
maria eduarda

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

Angola
foto:G.Ludovice 2006


Além do que seja o mar ou as mãos que escrevem páginas cheias, por serem de palavras poucas os lábios que beijam, nada mais me cativa, por vezes. Parecem-se, a esse instante largo dos amantes que se não esvazia do vazio constante. Incessantemente, repito a fuga a tudo o que não é isso.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

A partida

http://www.hunakulu.blogspot.com/

A hora da partida
não se adia,
não se olha para trás.
Na hora da partida
o corpo deve seguir uno.
Não haja um abraço que falte,
um lugar aonde ir,
um despedir!
Na hora da partida,
os nós rangem
em silêncio,
dentro de cada um de nós.

maria eduarda
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O pior é
quando querendo partir
não conseguimos...
ficamo-nos só pelo desejo
Por muito que os nós ranjam
dentro de nós
é o gelo cá de fora
que nos prende os passos.
Lentamente
despedaçamos a alma
em pedaços
que conservamos
numa mão fechada.
Em@

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Passagem

Surpreender-me

é saltar barreiras

dentro de mim.

Se as atravesso,

desfazem-se,

eu sei que existem,

por isso,

insisto no salto.


maria eduarda

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Liberto

Dove of Peace
Pablo Picasso
Voo, a palmos do chão,
ziguezagueando, em acrobacias.
De cima, posso moldar-me
ao vento,à chuva, ao frio.
Se me permite o voo,
os elementos desafio.
Sigo-os como igual,
desabrido, ao natural.
maria eduarda

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Duplicidade

The Temple Bar Pub ...
Sergio Pitamitz


Noites movimentadas,
cidades em delírio,
de tarde, noite, noitinha,
as personagens avançam,
atropelam-se nos ânimos,
afogam-se em ilusões,
definham-se em aptidões.

Manhã, cedo, cedinho,
em ruas quase desertas,
é hora de reerguer,
limpar, lavar a imagem,
recompor a personagem,
retocar a identidade,
no mesmo ser operante.

De dia, calmo semblante,
à noite, noutro cambiante.

maria eduarda

Ser Diferente


A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.

Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Parabéns Anabela Magalhães

Uma prenda para ti, tu, que na tua alma de viajante trazes sempre contigo as areias do deserto.

domingo, 1 de Novembro de 2009

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

Mambo 35

Hoje sou apenas um bamboleado telhado de zinco, para que a chuva seja alguém que se espera em ternuras, de mesa posta, no melhor despido, de espaçosa vaga interior no próprio adentrado chão bem côncavo, para a celebrar em parecenças e a resguardar de desaparecimentos.

Ser, parecer

Entre o desejo de ser
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida

Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos

Quissico, Abril 1981

Mia Couto in “Raiz de orvalho e outros poemas “

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Luz

Brilhante,
o Sol insiste
em raiar-me o dia.
Com afinco
ilumino-me
e abraço-o.
Talvez me conduza
na escuridão.

maria eduarda

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade
que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio,
ia atirando, com a mão ,umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crinças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta.
Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil,

foto:G.Ludovice 2009

Verdadeiramente não sabemos partir indo nem partir ficando.
Não existe uma última palavra numa boca que se fechará em actualidade, haveria outra ainda igualmente importante e talvez mais bela; a que contamos como sendo o último pensamento constatado, foi apenas quebrada no seu deslizar.
Nunca nos despedimos de alguém,
mesmo que o nosso adeus seja da consistência de uma pedra.
Havia mais caminho à beira do vento e o que esvoaçar.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

As coisas mais importantes não estão à venda

Pergunta: «Ser filho de um poeta foi determinante para o seu exercício da escrita?»

Mia Couto: «Acho que sim. Mas o meu pai não é apenas um poeta no sentido em que escreve poesia, é um poeta no sentido total, vive em poesia. Lembro-me que, nos momentos mais complicados da Guerra Colonial, passámos por esse período de uma forma totalmente distante, porque para ele o mais importante era irmos ver pelicanos ao final da tarde ou procurar pedrinhas para coleccionarmos. Ele ensinou-nos a procurar pequenas razões para sermos felizes, mesmo no meio dos destroços e é essa a educação que tento transmitir aos meus filhos. Toda a minha família tem a percepção de que as coisas mais importantes não estão à venda.»


Em entrevista a " Dica da semana"

A minha Mãe

Não houve tempo
para despedidas,
de beijos e abraços,
porque ela partiu,
sem estar(mos) preparada(os).
Porque ficámos sós,
filhos em crescimento,
filhos sem colo,
o colo da Mãe.
E porque hoje,
como ontem e sempre,
sinto que não a tenho,
e a explicação
não encontro.
Porque é assim, não é?
É a vida...
Não é o que se diz?
Uns partem, outros nascem...
Mas ela partiu demasiado cedo,
e não nos despedimos!

maria eduarda

O meu Pai

Porque é assim que te vejo,
Dedicado, garboso, voluntarioso.
Porque ficas bem com a tua farda,
cheia de galardões merecidos.
Porque há horas, como as de hoje,
de ontem e amanhã também,
em que sei
que não te posso abraçar.
Porque sinto que o último abraço
soube-me a pouco.
Porque reconheço,
que ainda haveria muito diálogo,
que ficou por ser ouvido.
E agora,
estou só, no meu monólogo.

Gosto de te ver assim vestido!

maria eduarda

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Atitude

Muitas vezes
vigio-me no meu silêncio,
e tento decifrar-me,
como se de um livro se tratasse.
Algumas vezes
encontro-me só,
no cruzar de conversas,
de conteúdo vazias.
Poucas vezes
deixo de sorrir
quando pretendo
que alguém distraído,
comigo sorria.
Nenhumas vezes
me adianto,
e me centro
ávida de atenção.

O saber vem de dentro,
sem roupagens de momentos,
sem artifícios sedentos
de exposição permanente.
Valiosa é a mente,
instruída, autêntica,
em constante procura,
em saudável loucura.

maria eduarda

domingo, 25 de Outubro de 2009

Ilusão

A ilusão reside em aceitar como certa, a sombra da árvore, quando ela só existe em dias de luz.

sábado, 24 de Outubro de 2009

O ASSALTO

"Um desses dias fui assaltado.

Foi num virar de esquina, num desses becos onde o escuro se aferrolha com chave preta. Nem decifrei o vulto: só vi , em rebrilho fugaz, a arma em sua mão. Já eu pensava fora do pensamento: eis-me!

(...) É assalto sem sobressalto.

Me conformei, e é como quem leva a passear o cão que já faleceu.

Afinal, no crime como no amor: a gente só sabe que encontra a pessoa certa depois de encontrarmos as que são certas para outros."

Mia Couto, in "O Assalto"

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

A minha raiz


Atravesso a vida

assim, como navegante

em águas revoltas,

ou águas serenas.

E remo, sempre,

braço condizente

com a vontade aliciante

de, na água que flui,

me rever nela,

e concluir

que no meu reflexo,

sou o que sempre fui!

maria eduarda

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Nebuloso Medo

Encontrava-me num daqueles momentos, raros na vida, em que chegamos ao fim de um caminho e poucas opções temos mais que seguir em frente, mesmo que de olhos semi-cerrados.
A passos do cartaz que dizia “dia 15, atira-te de cabeça”, lembro-me da angústia que sentia, da vontade de andar para trás, de fugir na direcção contrária. Olhava timidamente para os lados e não via nada mais a não ser neblina e, em frente, apenas nevoeiro. Nas minhas costas estava uma vida, de alguns sobressaltos e quase sempre feliz, ainda incompleta…
O Medo pode turvar-nos a visão, poderá por vezes assombrar-nos, fazer-nos sombra nebulosa.
Mais perto do mergulho no desconhecido (porque nem todas as mudanças na vida são escolhas planeadas ou pensadas, há escolhas que são urgências, mudanças que se impõem), comecei a vislumbrar finos raios luminosos, indicando-me subtilmente que do lado de lá não estava o fim temido, apenas luz, luz branca e colorida, como na vida.
Fui… Aceitei… mergulhei no, já menos denso, nevoeiro!
Ri-me, sentindo a certeza do meu pulsar… Neste caminho novo que percorro, sinto a vida num trilho largo, longo, até lá onde a vista não alcança…

Para trás do cartaz, medo e sombra, nadas que agora são passado.


Dinamene

Incentivo

Sorrir é também uma forma de envolver o outro, e aguardar a visão de um plácido sorriso, mesmo que breve. Sinal da palavra não dita, mas percebida.
maria eduarda

Caminho

Afasto as areias
que encontro no caminho,
devagar, de mansinho.
Vou precisar delas
na minha vinda,
onde enfileiradas
me indicam
onde colocar o passo,
e convictas,
me marcam o lugar,
onde o meu ser tem espaço.


maria eduarda

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

As mãos nos bolsos

“As mãos nos bolsos de Klaus. Como era estranho aquele seu gesto de esconder as mãos nos bolsos. As mãos e os olhos eram o fundamento da guerra: sem mãos é impossível odiar, odeias pela ponta dos dedos, como se estes fossem o canal habitual e único de uma certa substância química má. As mãos nos bolsos são um processo de educar o ódio, processo lento quando comparado com aquele bem mais forte que é a amputação dos braços. Mas só com as mãos nos bolsos os homens já acalmam. Com as mãos nos bolsos um homem percebe que não é Deus. Não se chega às coisas. Se tocares no mundo com a cabeça obterás desse toque sentimentos secundários; afastados de uma intensidade mínima a que a existência das mãos te habituou. As mãos tornam-te intenso. O obsceno – isso mesmo -, o obsceno que é o homem que na guerra, mesmo que numa pausa, põe provocadoramente as mãos nos bolsos. Assumir que não se é Deus em momento de guerra, acto corajoso e, por estranho que pareça, o único divino. Só os cobardes fingem que são Deus. Mas por momentos a vida de Klaus perde os seus órgãos máximos do raciocínio que são as mãos: os órgãos especializados nesse instinto primário que é sobreviver: instinto primário e também instinto último a largar um corpo. Com as mãos nos bolsos Klaus não pode deixar de parecer um imbecil, um homem que não pensa. Claro que as mãos nos bolsos fazem acumular emoções no resto do corpo. Como se os dedos, às escondidas, destapassem algo. Com as mãos nos bolsos sente-se mais, pensa-se menos.(...)As mãos são órgãos susceptíveis de se emocionarem. As mãos não terão apenas sentimentos tácteis, mas também sentimentos mais complexos: como a grande tristeza. Supor que há elementos do corpo que não sofrem nem se exaltam, que apenas assistem, parece um equívoco evidente de uma certa anatomia analítica que vê cada bocado de corpo como louco individual, com o seu mundo próprio. Não há nenhum órgão que possas extrair do corpo, mantendo este vivo, de modo a que do organismo expulses apenas as emoções. Só extrairás as emoções quando eliminares por completo o organismo. A última célula que sobrevive ainda sente e provavelmente pensa.”
Gonçalo M. Tavares “Um Homem: Klaus Klump”

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Lucidez


Abram-se as dores,
lancem-se na paz,
serenidade,
e, se preciso for,
sofra-se na lucidez,
para recuperar o chão,
e sorrir, num gesto indolor,
se preciso for!

maria eduarda
Lisboa 2009
Foto:G.Ludovice

Demoras mais tempo a entrar no silêncio do que a sair dele. Para saíres do silêncio basta uma palavra, para entrares nele tens de calar milhares delas e ainda milhares de ruídos. O silêncio requer esforço.
Gonçalo M. Tavares, A perna esquerda de Paris

Ao pai

Não é a tua mão, filha
que eu levo na minha mão
é uma raiz
que eu planto em mim mesmo.

António Reis, “Palavras de Cristal”

domingo, 18 de Outubro de 2009

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas de mãos.
E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

A dor

Window Pain
Diana Ong

É certo que a infelicidade não depende apenas da dor, mas a alegria, essa, só devia depender da ausência de dor física.

Vinte séculos inteiros e completos não inventaram uma explicação do sofrimento; sofre-se em comparação com o que é não sofrer, e nenhum homem saudável quer ser educado previamente para aquilo que é mau. Já não se treina a resistência à dor: evita-se, sim, a mistura com essa 'coisa' repelente.

Gonçalo M. Tavares, in "A Máquina de Joseph Walser"

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil,

Putney Bridge 2009
foto:G.Ludovice
No bico deste vento que não sei se me está endereçado
há nadas que me tomam o colo todo
como se fossem a tua cabeça a descansar do mundo
sob as minhas mangas tão soltas.

Não sei o que fazer com eles
a não ser cobri-los também de dedos meus
até que fiquem alguma coisa
de que ainda assim se possa viver.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Interiores

Na beleza crepuscular,
incendeia-se a visão
de olhar além,
onde nada é ninguém.
Céu, mar e terra,
junção de forças,
alicerces a conquistar,
para que se possa ver sempre além,
quando não é preciso
haver alguém.
Basta sobrevoar,libertar,
naufragar, se preciso for:ESTAR.
Chegar além,
sem sair do lugar,
alcançar o luar, o mar,
e com eles voltar,
mais rico na busca
da paz, da leveza,
desta singular destreza,
do saber apreciar,
o que é nada para alguém,
que não vê com clareza!
maria eduarda

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Um livro

Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora.

Provérbio hindu

sábado, 10 de Outubro de 2009

As minhas prendas


Já estão noutra dimensão, e assim se afirmam!

Tenho-os desembrulhado com cuidado, com ternura, para que as prendas não percam as suas formas e cores, e no meu forte afecto, espero que sintam sempre , que para mim, são e serão o meu mais valioso presente!

Mãe

maria eduarda

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura 2009

À novelista, ensaísta e poeta alemã de origem romena, Herta Müller foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura de 2009.
A Academia sueca salientou o facto de Herta Müller conseguir, “com a densidade da sua poesia e a limpidez da sua prosa, retratar o universo dos deserdados”. Müller é autora de livros como “O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra”, editado em Portugal pela Cotovia, e “A Terra das Ameixas Verdes”, publicado a nível nacional pela Difel. Ambos os livros se encontram esgotados.
Nascida a 17 de Agosto de 1953, na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, na Roménia, estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a Securitate, a polícia política de Nicolae Ceaucescu. Müller acabou por abandonar o seu país em 1987 para ir para a Alemanha com o marido, o também escritor Richard Wagner. Para trás deixou uma longa luta perdida pela publicação dos seus trabalhos frontalmente críticos ao regime totalitário de Ceausescu, que acabaria por ser derrubado dois anos depois. Vive em Berlim desde 1987.
A sua obra dá voz às inquietações das duras condições de vida de minorias durante a ditadura de Ceausescu. No caso de «O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra», a acção centra-se no destino de uma família alemã que espera com ansiedade a autorização para abandonar a Roménia, situação que Herta e seu marido dramaticamente viveram. A corrupção, a perseguição e a intolerância política, são as temáticas mais exploradas por Herta.
Herta Müller, dez anos depois de Günter Grass, é a décima autora alemã a receber o Nobel. Thomas Mann (1875-1955), galardoado em 1929, o autor de «A Montanha Mágica», foi um dos escritores germânicos premiados cuja obra mais perdurou para além da fama efémera do famoso galardão. O prémio atribuído pela Academia Sueca tem actualmente um valor de 980 mil euros e será entregue em Estocolmo no dia 10 de Dezembro.

Reticências

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma,
como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...

Álvaro de Campos, in "Poemas"

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Desalento

Um sonho!
Parecia real,
repleto de afectos,
de vontades,
indomáveis,
intermináveis...

Esse sonho
abriu uma fissura
e espreitou a vida,
tal qual ela é.
Não soube onde pousar,
se na vida tal e qual,
se na memória real.

Há-de encontrar assento,
longe do lamento,
num lugar de destaque,
para que prossiga,
talvez, um dia,
num qualquer momento!
maria eduarda

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Dia Mundial do Professor




Da M., do J., e da C.,. Já estão na Universidade. Como me comovi no dia em que me entregaram este envelope, carregado de carinho! E atrás vinha a M., com um grande ramo de flores.
Mais tarde recebi sms dos três, poque acharam que ser professor não é só alargar os horizontes dos alunos, é deixá-los também enriquecer o nosso, e partilhar !É tão fácil gostar desta profissão, quando se ganham alunos e amigos únicos.

Obrigada M., J. e C.

maria eduarda

Sorrir assim...

Sorrir assim, é sentir a infância liberta de perigo, resguardada no colo, sossegada nas mãos que amparam a criança.
Sorrir assim, é a inocência de não pensar, de tomar como certo o momento precioso da ternura contagiante.
Sorrir assim, é saber que, com toda a certeza, as mães são eternas nas marcas profundas que deixam, resultantes do amor que investem, porque amam incondicionalmente.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009




Reflexão: Experiência ?

Já fiz cócegas no meu sobrinho, só para ele parar de chorar.
Já me queimei, brincando com o lume.
Já fiz balões com pastilha e fiquei com o rosto todo colado.
Já conversei com o espelho e até já me mascarei de Homem Biombo!
Já quis ser astronauta, violinista, mágico, caçador e trapezista...
Já me escondi atrás da cortina, mas esqueci-me dos pés de fora.
Já passei secas ao telefone.
Já tomei banho de chuva e adorei.
Já roubei beijos.
Já confundi sentimentos.
Já percorri atalhos errados e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz doce.
Já fui pai.
Já me cortei, fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido ao telhado para contar estrelas.
Já subi árvores para roubar fruta.
Já caí da escada.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei às escondidas no cinema.

Detalhes Adicionais

Já fugi de casa para sempre, mas voltei no outro instante.
Já corri para não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi o pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me atirei à piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e, mesmo assim, não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro.
Já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de me levantar.
Já apostei que correria descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva de madrugada e vi a Lua transformar-se em Sol.
Já fiquei triste por ver amigos partir, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú chamado coração. E agora uma pergunta me interroga, encosto-me na cama e oiço gritar: 'Qual é a tua experiência?' Essa pergunta ecoa no meu cérebro: “Experiência”... “Experiência...”
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não, talvez o mundo ainda não saiba colher sonhos! Gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:

“Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?”




Pudimcaseiro

Professores

Que bom se todos os professores fossem perfeitos… O ideal seria até uma pessoa inteligente, interessante e engraçada, com grande capacidade para explicar a matéria, justa a dar notas, que só fizesse testes fáceis e, claro, que ao mesmo tempo admirasse e aprovasse tudo o que fizesses. Belo sonho…
Podes até acabar por ter um professor que se aproxime muito da pessoa que gostarias que te desse aulas, no entanto, a maior parte das vezes, quem está sentado à secretária não tem só qualidades. E o mesmo acontece contigo.
Um professor pode ser capaz de descrever uma batalha histórica com tanto pormenor que te parecerá estares a presenciá-la; mas, quando chega ao teste, as suas perguntas mais se assemelham a uma emboscada… Pode também acontecer o professor ser capaz de te meter com toda a facilidade na cabeça conceitos matemáticos mais complicados, mas depois te tire 1% no teste só porque fizeste um errozinho de nada. (…)
O teu objectivo é resolveres da melhor forma possível tudo o que te apareça pela frente. Isso implica admitires que talvez estejas a contribuir para algumas das dificuldades criadas e alterares o teu comportamento de forma a evitares problemas futuros.
O ingrediente mais importante de todos é o respeito. É importante não esqueceres que, para respeitares uma pessoa, não é preciso gostares dela. Do mesmo modo, para que te respeitem, não é preciso que gostem de ti.
Tens o dever de respeitar os professores e de aprender.

Meg F. Schneider, “Socorro, o Meu Professor Odeia-me”

"Pouca coisa é necessária
para transformar inteiramente uma Vida...
Amor no coração e um Sorriso nos lábios!"
Martin Luther King

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

(In)conclusivo

Escutar o silêncio,
às vezes necessário,
por vezes doloroso,
muitas vezes imperioso.
Nada se perscruta,
neste vazio agreste,
neste estar/não estar,
e permanecer.

Mas acontece o viver,
mesmo quando anoitece,
e no amanhecer
novo alento se tece,
nesta amálgama,
de dar e receber.
maria eduarda

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Saber-te

Abrir a porta do teu eu , é permitir que saibam de ti o que deixas perceber, e que pressintam que, às vezes, tu próprio procuras respostas, numa nesga do entendimento de alguém, que se perfila em ti.
maria eduarda

Eficácia

http://olhares.aeiou.pt/under_the_sun_foto3067276.html


Sublime intenção,
abarcar todo o céu
na vida, em dimensão!
E à noite, abraçar a lua,
e direccionar a sua luz
no patamar de todos os dias.

Sublime redenção,
à imensidão da vontade,
à luz reflectida no querer!
É suficiente olhar,
e fazer das horas,
a força que impele o ser
ao virar do dia e da noite,
no sonho que é viver!

maria eduarda

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

O GATO

Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné

Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga

Vinicius de MORAES

Perto da alma

London 2009
Foto.G.Ludovice

Uma frase utilitária tanto pode ser uma frase que surge nas indicações regulamentares de um medicamento como uma frase que se encosta fortemente à tua alma.
Gonçalo M.Tavares, A Perna esquerda de Paris

sábado, 26 de Setembro de 2009

ANÁLISE


Blue Fog and Jetty
Jonathan Andrew
Tão abstracta é a ideia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a ideia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Do sonho e pouco da vida.
Fernando Pessoa 12-1911

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

O que nos move

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

A saudade

A saudade é uma linha no pensamento, que enche uma página pautada, de lembranças.
E a saudade alimenta-se da recordação do gesto dirigido, da palavra proferida, de episódios vividos, de pessoas na passagem.

Às vezes a saudade aquieta-se e sossega; outras vezes impõe-se na pacatez , e destrói a quietude do momento. Depois, apaziguamo-la, e ela adormece, porque lhe demos o nosso tempo, na vertigem do momento, que já foi.

maria eduarda
POBRES DOS NOSSOS RICOS

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)
MIA COUTO

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Peripécias

Lisboa - foto do meu mano Xinho
Não é um passo qualquer! É um passo decidido, com apreço às pedras, aos desníveis do caminho. A uma pedra à frente, o pé ensaia um outro passo, com contorno mais irregular. Mas que importância tem? Deteve-se uns segundos a mais, nada se alterou, porque o objectivo era prosseguir, e o tempo sempre existiu. Só necessário percorrer alguns sóis e luas, solto do peso de alguns anos danosos.
Caminhar requer perícia, teimosia. É preciso alimentar sempre essas vontades, e às vezes aprender a voar, quando no lugar da pedra, se declara um pântano. Mas para voar são necessárias asas leves, soltas, ágeis...

Urge soltar o ânimo, a vida, e fazer disso a razão primeira da existência em nós, de todos os dias vividos no reflexo do sorriso, pronto a ser revelado.

Viver requer sabedoria; sobreviver requer apenas estar vivo - diferença abismal entre reparar e olhar!

maria eduarda

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Um rio? Será o rio Tâmega?


fotografias de Anabela Matias de Magalhães
A água límpida é muitas vezes fonte de inspiração para escrever um texto, quer em prosa, quer em verso.

Perante estas duas fotos, todas as palavras seriam portadoras de um sentimento de desânimo, de revolta, contra quem não presta a devida atenção à natureza.

domingo, 20 de Setembro de 2009

“Ganhei” um gato ou salvei um gato?

Se me dissessem, há dias atrás, que teria um gato em casa, não iria acreditar!!!
Eu???? Isso é que era bom! Muito lindos, os gatinhos, não digo que não, mas em casa dos outros, nos filmes, nos postais.
Quando a minha neta me falou da hipótese dela e família adoptarem um gatinho “liiiinnndo, liiinnndo, avó”, eu fiquei estupefacta, escandalizada, para não dizer em estado de choque, pois sei que já têm um cão, também “liiiinnnndo” e indisciplinado q.b., que lhes dá “água pela barba”!
Perante o choque que me provocaram, não voltaram a falar-me dos gatinhos da vizinha, raçados de persa e siamês, que a sair à mãe, seriam encantadores.
Ponto final. Férias. Praia. Descontracção.
Um dia, a boca da minha neta fugiu-lhe para a novidade pós-férias (além da entrada no 2.º ciclo). A vizinha já tinha dito à mãe que o gatinho estava quase em condições de ir lá para casa.
As sensações repetiram-se. E a minha ladainha: "Um gato é uma prisão, o cão já vos dá trabalho, preocupações e despesas, não podemos ter tudo o que nos apetece".
Mas a mãe da minha neta já se tinha encantado com o gato. Para todos, lá em casa, o gato era uma óptima ideia. “É bom as crianças convirem com animais e partilharem com eles brinquedos e brincadeiras, aprender também a tratar deles, ajudar na sua higiene, etc”.
Calei-me. A casa não é minha, o meu conselho não funcionava, o melhor era ignorar e calar-me de vez sobre tal assunto, para não me consumir com preocupações que não eram minhas.
Entretanto o gato foi lá para casa e lá vêm as sms e os mails com as novidades: as gracinhas do “bebé” de um mês, “liiinndo, liiindo”, mas que não podia passar dos quartos para a sala e cozinha. A aversão que o Pinguinho, agora circunscrito a uma parte da casa, manifestara pelo novo inquilino, poder-lhe-ia ser fatal. Como resolver?! Ir aproximando o gato do cão, ao colo, devagarinho, até que chegasse o momento de empatia e a vontade de admitir que o gatinho até poderia coabitar naquele espaço que a ele pertencia.
Mas, qual quê!!! O cão transformava-se numa fera indomável só de ver o cão ao colo, só de o cheirar ali perto! Num instante, “Era uma vez um gato…”
As informações chegam-me em catadupa. As crianças iriam assistir, se houvesse uma distracção (abre porta, fecha porta, abre porta, fecha porta), à terrível cena do cão “tão liiindo” a abocanhar o gato “tão liiiindo”???
Proponho, pelo telefone, na tentativa de ajudar “Então, quando passarmos por aí, trazemos o Pingo!”
“O Pinguinho não, é o meu cão, não posso ficar sem o meu «penguenho»!”
Sim, realmente seria uma injustiça e, sobretudo, anti-pedagógico. Levaria a garota a “abandonar” o seu cãozinho, para ficar com o “brinquedo” novo. Na verdade, completamente fora de questão.
Então???!!! Quando passámos por lá, vivia-se o problema, sem solução à vista.
“Dás o gato a alguém que queira e conheças, poderás ir visitá-lo sempre que quiseres!”, sugiro eu.
“Ah, mas não é isso que eu quero, o gato é nosso, assim vou ficar sem o gato. Leva tu o gato, avó!”
“Eu??? O gato não! Se fosse o cão, sim, mas gatos, nem pensar.”
“Mas o gato é tão lindo, não te vai dar trabalho, a sério. E assim vai continuar nosso!”
“Levo o cão. Dás o gato. Quando nós cá voltarmos, daqui a quinze dias, trazemos-te o teu Pinguinho, porque entretanto o gato já está noutra casa.”
“Não! Eu gosto do cão e gosto do gato!!!”
O tempo a passar e nenhuma decisão. Iam ficar com os dois “liiiinnnndos” em casa, numa casa dividida ao meio para impedir um cão de matar um gato indefeso, bebé de um mês e uma semana.
Diz o avô “Eu n saio daqui enquanto não levar um, não quero receber um telefonema a dizer que deixaram a porta aberta e que o Pingo está com o gato pendurado pelo pescoço!”
Silêncio.
E o avô continua “ Então, como é?! Nós levamos o gato. Pode ser que depois de crescido o cão já o aceite e fica tudo resolvido!”
E eu de boca aberta, sem palavras, incrédula, a tentar perceber o que “me” estava a acontecer!
“Vá, levamos o gato!”
P.S. Quem quer o gato?!

sábado, 19 de Setembro de 2009

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

19 de Setembro 2009

Estou ainda em longa viagem, Pai.
Há dois anos que não deixo os meus olhos concentrarem-se no teu sorriso e não te encontro no sofá de baloiço na varanda, a esticares os teus brilhos para o horizonte verde nem me deparo com esses sonhos todos nas abas dos teus gestos, neles pendurados como animais teimosos enquanto sobre as teclas do piano, os teus braços e mãos valsam.
Pois é Pai, isto das viagens, é todo um mundo.
Apesar de ter tempo, é-me penoso usar algum dos meios de comunicação acessíveis a qualquer um, para apenas ouvir a tua voz. Não o tenho feito, estar em viagem não é fácil como o sabes.
Sim, tenho tido momentos de mão no queixo em algum sítio, e lá andas tu como em casa pelos meus pensamentos a espreitar aqui e ali nessa curiosidade de mais velho, que sabe que o mundo está sempre a mudar. Por vezes, apareces nalgum sonho a meio das minhas noites andantes cheias de desluas ou de luminosidades tão absolutas Pai, que é logo em ti que penso para naquele momento vermos o mesmo.
Viajo há dois anos Pai, e como te disse não é por falta de minutos e horas, que tenho adiado um postal que fosse, mas é como se me quisesse convencer que o facto de poder pensar em alguém é já beijá-lo e levar-lhe todo o meu último mundo; deve parecer-te um pensamento meio estranho, mas por sinal é até de grande utilidade e anima-me nesta viagem que se estende faz hoje, precisamente dois anos.
Hás-de perdoar, este meu silencio. Talvez tenhas já sentido o beijo.
Sim Pai, não foste tu que morreste... sou eu que ando por fora faz tempo.
London
Foto:G.Ludovice 2009

O âmago está no seu quarto a escrever
sobre o que pensa ser a realidade, lá fora.
Surpreende-se.
Mas não vai vivê-la?
Está na rua, contente
por pensar menos e viver mais.
Sentado num jardim sobre o seu bloco,
escreve sobre o que é estar no seu quarto.
Surpreende-se.
Não o vai saber desde o seu interior?
Vai para casa
e desenha pardais num guardanapo.
É isso, estrangeirar-se do momento.

In:Caixinha com rodas, nº9, Ed GEIC

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

QUE CAVALOS SÃO AQUELES QUE FAZEM SOMBRA NO MAR?

E aqui anda a noite à roda, à roda e eu com ela como um papelinho com que o vento brinca, apanha-me, larga-me, empurra-me, corre, mais adiante, a prender-me nos dentes, esquece-se de mim, torna a lembrar-se, poisa-me uma pata em cima, vai-se embora. O vento. Em certas alturas, dantes, na casa velha dos meus pais, estremecia os caixilhos, na de Nelas batia um ramo contra a janela e eu deitado no escuro, com medo, enquanto o ramo falava sem cessar. Dizendo o quê? Nunca entendi o vento. Ontem, no fim do almoço das quintas-feiras no restaurante onde me junto a um grupo de amigos, o Vitorino e o Janita Salomé cantaram uma moda de Natal onde, a propósito dos Reis Magos, a letra pergunta que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? Eles dois um grupo inteiro, a voz do Janita borda por cima da voz do irmão e nós a escutarmos, encantados. Estes dois versos não me largam: que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? Gostava de usá-los como título de um livro: tocaram não sei onde, no mais fundo de mim, e eu comovido como tudo, com lágrimas dentro. Porquê? Vou repeti-los mais uma vez dado que não cessam de perseguir-me: que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? É quase Natal, uma época em que me lembro ainda mais do meu avô. Ruas iluminadas que tornam a noite triste, grinaldas de lâmpadas, uma festa que tremelica no escuro. Há horas recebi a notícia da morte do meu editor francês, Christian Bourgois. Era meu amigo, trabalhávamos juntos há vinte anos, depois da sua operação ao cancro fui por diversas ocasiões a Paris estar com ele. Uma manhã disse-lhe:
– És um grande editor.
Ele respondeu:
– Não há grandes editores sem grandes autores e a modéstia das suas palavras alegrou-me. Tinha um imenso faro para descobrir talentos, não se tornou nunca um comerciante, os livros constituíram sempre a sua razão de ser. Não há muitos editores que eu estime e respeite. Que horrível coisa perder um amigo: e as grinaldas de lâmpadas a tremelicarem no escuro, a tremelicarem no escuro, a tremelicarem no escuro. A melancolia das lâmpadas, gente por todos os lados, enervada, com pressa. Desde que cresci o Natal tornou-se uma multidão de gente enervada e com pressa. Que não fazem sombra no mar. Não fazem sombra em parte alguma, zangam-se apenas: deve tratar-se do espírito da quadra. Não fui eu que perdi um amigo, foi o Christian que perdeu tudo. Canta, Janita: que cavalos são aqueles? Negócio sinistro, o da Literatura, as maldades, os meandros, o dinheiro. A quantidade de alturas em que me vêm ganas de não publicar mais nada. Isto para não falar daquilo a que chamam autores. Mas noventa e nove por cento desses, tal como a multidão de gente enervada e com pressa, não fazem sombra no mar. Há tão poucos escritores capazes disso. Canta, Vitorino: cubram-me de Alentejo até não sentir frio, de oliveiras a perder de vista, de campos. Quero ser um papelinho que o vento apanha e larga, empurra, prende nos dentes, esquece, quero um ramo contra a janela a falar sem descanso. Dá-me uma mãozinha, Janita: que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? Ainda o fim-de-semana passado, na foz do Douro, ondas enormes. Um quarto para as palmeiras, as ondas. Depois das ondas ficava a espuma sozinha, pendurada no ar. Em que me penduro eu, em que nos penduramos nós? Dá-me ideia que com o tempo vou ganhando uma solidez de pedra. Mesmo ao mover-me fico. Quando eles cantam as veias do pescoço engrossam, os olhos mudam, fitando para dentro. Beja à distância, alargando-se devagar. Sinto-me eterno em Beja. O hospital cheio de doentes onde fui por causa do ouvido. Será impressão minha ou as mulheres, nas terras pequenas têm mais beleza? No Algarve, por exemplo, na Póvoa de Varzim. No Montijo, onde trabalhei no regresso de África? Pântanos, água, barcos moribundos, só costelas. Pássaros que não conhecia. Uma tarde, na margem sul do Tejo, um cavalo branco atravessou de súbito a estrada, a galope, de crina longa que dançava. Tratar-se-ia de um dos bichos da moda? Devia tratar-se dado que continua a fazer sombra em mim. E agora? Acende um cigarro, António, prepara o final: uma coisa que se veja, bonita, serena. O quê? Como? Rumores, rumores, escuto silêncios que conversam, vozes que não há, escuto cheiros e cores, sinto-os na língua. E escurece: hoje é o dia mais curto do ano, vinte e um de dezembro. Dezembro com minúscula, sempre escrevi os meses com minúscula. Nasci em setembro, as vindimas sou eu. Lá vinham os carros de bois com as pipas, lentíssimos e eu a pasmar para um pedaço de mica. Os reflexos da mica. A serra azul. O rápido das seis. Vagabundos a atravessarem o pinhal, cheios de raiva. De bordão e barba. Os capotes rasgados e por baixo não as camisas, a pele. Pensando bem são eles os cavalos que fazem sombra no mar, os Reis Magos. Trazem oiro, o incenso e a mirra embrulhados em papel pardo. E eu nas palhinhas, nu, a sorrir-lhes.

António Lobo Antunes

Ao filho, que foi menino

De novo, o silêncio
dos acordes da viola,
da tua voz,
trauteando a letra
da música,sempre ouvida.
Mais uma pausa,
um espaço com ausência,
a necessidade
da criação, em mim,
do hábito,às vezes longo,
de permanecer aqui,
longe de ti!
maria eduarda

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

O ensino

“ O ensino é um processo não repetitivo. Dois grupos de alunos nunca são iguais; nem uma classe é a mesma de um dia para o outro. O mundo ao redor da sala de aula muda constantemente; o próprio professor muda. O professor tem grandes oportunidades de ser criativo na maneira como lida com todas essas condições mutáveis”.


Alice Miel

sábado, 12 de Setembro de 2009

«Encontra os maiores mestres, faz as perguntas mais difíceis, e eles nunca te dirão:
«Estuda filosofia», ou: «Tira o teu curso».
Dirão apenas: «Tu já sabes.»

Richard Bach

Eleição

Flowers and Stones ...
Neil Emmerson
Tomei-te por pedra,
ao acaso jogada,
no meu percurso,olhada.
Retrocedi,
alisei-a, recuperei-a,
e agora com outro fim,
depositei-a bem no centro
do meu jardim.
Aí detenho-me
diariamente, no lazer,
no tratar, no embelezar.
A pedra roliça
adorna o canteiro,
e encanta-me a mim,
na primeira função,
da mensagem do recanto,
em lugar eleito
de meditação.

maria eduarda

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

A vida...

Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada.

Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.
in "Livro do Desassossego" - Bernardo Soares

O Constante Diálogo

Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado
Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as ideias
o sonho
o passado
o mais que futuro
Escolhe teu diálogo
e tua melhor palavra
ou teu melhor silêncio.
Mesmo no silêncio e com o silêncio dialogamos.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Discurso da Primavera'

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

A sociedade só mudará quando a mente humana mudar. Como no adágio, não basta mencionar a palavra “luz” para que a lâmpada acenda, é preciso entender a lâmpada. Temos 90% da população mundial a viver mal para que 10% esteja bem. Isto diz muito acerca do funcionamento da mente humana, centrada na avareza, na arrogância, no conflito. O trabalho é individual e implica mudar atitudes e práticas, mais orientadas para a cooperação e menos para o apego e o negativismo.
Ramiro Calle Escritor e mestre de ioga

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Luz e Sombra

Na minha insónia,
as vozes sucedem-se
em surdina.
Acalentam os sonhos,
que não deixo de ter.
Olhos abertos,
em tempo de sono,
resistentes, insistentes,
colocam a vida a descoberto.
Os sonhos, esses,
persistem...

maria eduarda

domingo, 6 de Setembro de 2009

Resolução

http://olhares.aeiou.pt/o_portalda_simplicidade_foto2715132.html

A campainha da porta
oferece-se ao toque
hesitante no gesto,
no soar inaudível,
ou no refreio da mão?
A espera do minuto,
a opção segunda,
o bater forte da mão,
força contida,
hesitação renovada.
Grotesca a resolução,
o virar das costas
em direcção ao portão.
maria eduarda

sábado, 5 de Setembro de 2009

Os Nossos Eus

Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados nas mãos de um empregado de mesa, têm outros vínculos, outras simpatias, pequenas constituições e direitos próprios - chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer têm nome) - de modo que um deles só comparece se chover, outro só numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones não estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho - e assim por diante; pois cada indivíduo poderá multiplicar, a partir da sua experiência pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo - e alguns são demasiado absurdos e ridículos para figurarem numa obra impressa.
Virginia Woolf, in "Orlando"

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Flores de Amendoeira


Olhava o céu azul de final de Verão,
Algumas nuvens, muito brancas, lembravam-me o seu branco cabelo…
Parecia-me ver as nuvens agrupando-se em rendilhados finos, com flores, nós pequeninos.
Uma lágrima escorria-me no rosto sério, sereno, e todo o céu ficou reflectido naquela gotinha de tristeza. Então, vi que eram as suas mãos que faziam renda em flocos de nuvens, fios de luz.
Senti-me envolvida por um abraço azul, imenso, quase ouvi um sussurro:
“Estou bem, Ménita… Estou bem….”

Vou recordar-te com o carinho que nos tinhas e que transformava, com as tuas mãos, os figos e as amêndoas em flores doces… Com as mãos, que também preparavam carapaus alimados ou faziam renda com um pormenor dedicado, perfeito.
Vou recordar também essa teimosia que te caracterizava, as piadas marotas, a força que o teu corpo grande mostrava, a força que tinhas.
Vou recordar-te sempre , queria Avó Ema. E quando olhar as nuvens vou ver flores de amendoeira bordadas no céu, brancas como os teus ondulados cabelos.

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Ilusão

Iludo-me no meu desamparo já tardio. Envolvo-me nas brumas de outrora, e aqueço-me no regaço dos abraços apertados, desatados que foram ao longo do tempo. Persiste o desamparo, no encalço do colo, que o espreita na chegada.

Tentativa

Quero ter todas as cores,
simples, combinadas, misturadas,
tonalidades em mim erradas,
quando não assimilo os odores.

Nos dias cinzentos quero ser ave,
revoltar-me contra o momento,
exasperar-me num tormento,
alinhar-me em semblante suave.

Em dias de ansiedade,
deslizo nos contornos suaves
de uma qualquer vontade,
capaz de me não colocar entraves.

E o objectivo desenhado,
insisto, resisto, vacilo,
na força, procuro alinhado
o meu ser, em completo asilo.

maria eduarda

A importância dos filósofos

O filósofo dizia que só os homens faziam o importante, enquanto os animais só dispunham de acções insignificantes.
Foi então que chegou o tigre e devorou o filósofo, comprovando com os dentes a teoria anteriormente apresentada.

Gonçalo M. Tavares, O senhor Brecht, Caminho

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Nunca nos separamos do primeiro amor

in: http://olhares.aeiou.pt/clones_foto2595704.html


Já o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge.

Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias.
Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele. Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fossemos, só nós, o nosso próprio cosmo.
Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo.

Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "

quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

London 2009
Foto:G.Ludovice


Existem tons que são como pensamentos dos olhos, podem ser usados com sentires que se despem como poemas que se deixam à laia de roupa ao fim do dia num canto, que sabemos nosso.

Planta Betadine


Chelidonium majus

Já ouviram falar da planta-betadine?
Também conhecida por erva andorinha, erva leiteira , erva das verrugas, celidónia, cedronha, cerudia, quelidónia, ceredona, ceruda.etc…

Pois eu nunca tinha ouvido falar, até esta há dias, quando ao ver uma pequena queimadura pintada de “betadine” no braço de uma vizinha comentei: "Já se magoou?" E Ela disse-me ” Queimei-me e pus planta betadine, boa para as feridas” Eu, admirada, perguntei-lhe de que se tratava e lá me “apresentou” a planta do betadine (segundo ela) e mostrou-me, arrancando uma folha, como deitava a cor do betadine ao esfregar na pele...

Achei curiosa e cómica a terminologia…. A mistura das tradições antigas e tratamentos naturais com os medicamentos modernos (a planta existia antes do nome betadine, com certeza)…
Obviamente não é dali que tiram o betadine (com iodo na composição), em comum devem ter apenas a cor.

Por isso, fui pesquisar na net e aí vai um pouco do que li:

Propriedades medicinais:

- As folhas esmagadas e o líquido que deita, da cor da betadine e aplicado nas feridas dizem ter poderes cicatrizantes.
- Nos meios rurais, esta planta é conhecida como erva-das-verrugas, pois o seu suco cáustico faz desaparecer estas excrescências. Contudo, esta planta não é inofensiva, pois contém alcalóides tóxicos, pelo que é altamente desaconselhável ingerir a planta seca ou fresca, excepto por prescrição médica. Os homeopatas utilizam a sua raiz.

Floração: De Março a Setembro

Distribuição: Frequente em quase todo o país.

Curiosidades:
O seu nome “erva – andorinha” deriva da palavra grega chelidôn, andorinha, pois a planta floresce na época da sua migração.

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Felicidades Turyma!


Não Sou o Único

Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ver os sonhos partirem
À espera que algo aconteça
A despejar a minha raiva
A viver as emoções
A desejar o que não tive
Agarrado às tentações

E quando as nuvens partirem
O céu azul brilhará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará

Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu
Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu

Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ouvir os conselhos dos outros
E sempre a cair nos buracos
A desejar o que não tive
Agarrado ao que não tenho

Não, não sou o único
Não sou o único a olhar o céu
E quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará

Xutos e Pontapés

domingo, 23 de Agosto de 2009

Coisas de Mãe....


Outro dia, ao entardecer, ao passar numa rua quase deserta, vi uma senhora, velhota, muito pequenina (para aí metade do meu tamanho!?), muitas rugas na cara franzida, muito branco o cabelo curto, o corpito redondo vestido de negro, a andar para cá e para lá (espreitando um terreno e um portão) como se procurasse alguém…. Sensibilizou a figura frágil e irrequieta pelo que lhe perguntei o que procurava…
Então, ela olhou-me com os seu olhitos muito azuis e aguados e disse-me numa voz trémula, melodiosa e muito baixinha: “Sim, procuro o meu filho. Importa-se de espreitar para ver se ele está ali ao fundo?”
Muito para lá do portão, quase perto do horizonte, havia uma casa e espreitei, não vendo ninguém. Ela, aflita, disse-me “Estou preocupada, já chamei e ele não responde. Eu trouxe-lhe o jantar porque é hora dele comer!”…
Pareceu-me tão estranha a situação que ainda pensei se a senhora não estaria a inventar um “filho” e sugeri:
"Vá para casa descansar, que ele aparece".
E ela, enervada: “Não, querida, ele já devia ter comido”
"Que idade terá o filho?"
– passava-me pela cabeça… Entretanto, lá apareceu ao fundo, perto da casa, um matulão ( que devia ter, mais que eu, a metade de tamanho que faltava à mãe para ser da minha altura), encorpado, que caminhava na nossa direcção…
Resolvi ir embora, visto que o problema se resolvia… Ainda ouvi a senhora para o filho naquela voz ternurenta, mimosa, trémula : “Então não respondias, estava tão preocupada. Qualquer dia dá-me uma coisa. Trouxe-te água, arroz, pão….” E o resto já não ouvi.

Coisas de mãe, sem dúvida. Aquele matulão é que já tinha corpinho para cuidar da mãe, coitadinha… Enfim, é a natureza da mulher-mãe que não a deixa tirar os olhos dos seus rebentos, mesmo que já voem, muito além de onde a vista pode alcançar!
Dinamene

sábado, 22 de Agosto de 2009

Curiosidades estéticas

Poetry
Alphonse Mucha

O mais importante na vida
É ser-se criador - criar beleza.
Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir uma voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.

António Botto, As Canções de António Botto

quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Encontro

in: http://olhares.aeiou.pt/geracoes_foto2303266.html
Se a vires,
diz-lhe que invento
sítios onde a revejo,
episódios que reinvento,
linhas de rosto esbatidas,
do tempo de ampla visão.

Se a ouvires,
alberga as suas palavras,
memoriza-as tal e qual,
e trá-las até mim,
para que eu entenda,
a presença em ausência.

Se a abraçares,
repara na sua beleza,
no seu sorriso sereno,
na sua vontade de amar,
no seu quê de doçura,
na brandura do seu gesto.

E vem...
Traz o brilho do seu olhar,
para que eu o alcance,
e faça dele, o meu serenar.

maria eduarda

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Reagir

Às vezes vive-se embalado em vácuo, sem inércia, quase inanimado. Basta um pequeno sinal, e o invólucro rompe. Sai-se delirante, ofegante, pronto de braços e pernas, esbracejando, esperneando.

Liberto de sufoco, todo o chão é pouco para percorrer a liberdade e sorver a vida.

maria eduarda

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

As iniciais do meu nome desenhadas pela Gabi


Thank you for visiting the Victoria & Albert Museum on 17/08/2009. Attached is the monogram that you designed during your visit to the British Galleries.We hope you enjoyed your time at the V&A and that you will visit us again.
Obrigada amiga!

sábado, 15 de Agosto de 2009

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

Praga 2009
foto:G.Ludovice

Angustia-me que a minha memória me use como uma sala, que toda tenha decorado de ti.


Devo caminhar-te como um princípio deserto de sinais e abundante em hesitações, de modo a que possa abismar-me ao ainda tactear-te no vazio e que sejas afinal tu que me encontres, porque apenas te sei como num sonho.

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Morre lentamente...




Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte
ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
do que o Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Martha Medeiros

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Refúgio

Permanece aí,

ao alcance de um chamamento,

no desnortear de um lamento,

no enebriar de um sonho.

Traça o local,

para que o veja,

quando me dispersar,

e me abarcar em ti.

Alcança-me então,

no refúgio da tua mão.

maria eduarda

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Deambular

Evening On Canal Str...
Diane Millsap

Desço a rua deserta, plena em mim de multidões, ávidas de deambular. Prossigo sem freios, respiro todos os aromas, desinquieto-me, abasteço-me de cores e formas diversas.

Subo a rua, já liberta de multidões, que cansadas, se retiraram de mim, na procura de alguém, cioso de não ter saída.
maria eduarda

A criação do Mundo

No início era o caos. O céu e a terra eram como a clara e a gema do ovo. Então nasceu Pan-Kou, o primeiro homem, que deu forma ao céu e à terra. O céu ele fez das coisas claras e brilhantes, e da escuridão e da impureza a terra. Pan-Kou se transfigurava nove vezes por dia, e a cada dia o céu e a terra se elevavam dez pés. No final de sua vida, que durou dezoito mil anos, o céu estava muito alto e a terra muito densa. Então, Pan-Kou chorou. E do caudal de suas lágrimas fizeram-se o Hoang-Ho e o Iang-Tse, o rio das águas amarelas e o rio das águas azuis; ele respirou e o vento soprou; falou e ouviu-se o trovão; olhou à sua volta e de seus olhos surgiram raios. Se Pan-Kou estava alegre, o tempo era ameno; se estava enfurecido, o tempo era escuro e nublado. Quando morreu, seu corpo se desfez em pedaços e deles se formaram as Cinco Montanhas Sagradas da China. Seus olhos transformaram-se no sol e na lua; sua carne se fundiu em mares e rios, e seus cabelos penetraram no chão e formaram raízes, cobrindo a terra de plantas.

Mito tradicional chinês

domingo, 9 de Agosto de 2009

Dispersão

A minha sombra dispersa-se,
já não me acompanha
colada ao ser que sou.
Com ela tenho caminhado,
sem ela sou inacabado,
na procura da silhueta,
que não sendo só eu,
é outrem
que de mim se descolou,
e de mim se desvia.
Deverei segui-la,
ou por fim aguardar
que se perfile em mim?

maria eduarda

sábado, 8 de Agosto de 2009

As festivaleiras

A música é o verbo do futuro
Victor Hugo

sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Gerações


Concerto "Rock One" - Portimão
05.08.09

Cantar, dançar,
em sintonia, na música,
vibração contínua,
neste entusiasmo sentido.
Gerações,
no gosto ondeante do som,
numa noite desigual,
de diferente, quase irreal.
Sons que as unem,
esses do Concerto,
outros se mesclam
no afecto, na afeição,
no sentir, dedicação!

maria eduarda

quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

A gargalhada é um

tranquilizante sem efeitos secundários.

Arnold. H. Glasow

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009




Confiança


O que é bonito neste mundo, e anima,

É ver que na vindima

De cada sonho

Fica a cepa a sonhar outra aventura...

E que a doçura

Que se não prova

Se transfigura

Numa doçura

Muito mais pura

E muito mais nova...



Miguel Torga

terça-feira, 4 de Agosto de 2009


Ter um destino

é não caber no berço onde o corpo nasceu,

e transpor as fronteiras uma a uma e morrer sem nenhuma.



Miguel Torga

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009


"O beijo é uma forma de diálogo."

George Sand

domingo, 2 de Agosto de 2009

Existes

Não me despeço de ti, estás na brisa que vem de mansinho e me refresca a memória e o olhar. Dir-te-ei adeus, em dia parado de vontade, de fala, e de aragem, que não te leva o meu dizer, quando nada mais houver para partilhar.

maria eduarda

sábado, 1 de Agosto de 2009

Carta de Fernando Nobre

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Meus amigos,

(...) quero deixar aqui algumas reflexões sobre o que vi durante a minha última estadia no Bangladesh, que terminou há dias. Nos últimos dez anos, foi a terceira vez que fui ao Bangladesh, cuja capital Dhaka (floresta) foi fundada por padres portugueses no sec. XVII e onde ainda hoje continuam a morrer habitantes, de uma minoria católica, com apelidos portugueses: Albergaria, Soares, Costa…

O objectivo desta viagem foi o de contactar uma ONG local em Jessore, uns 280Km para sul de Dhaka, para financiarmos projectos que aprovei, nas áreas da saúde e educação, e tomar contacto com a realidade das tragédias repetitivas que ocorrem no delta do Ganges.

Os bengalis do Bangladesh são o mesmo povo que habita o estado indiano do West Bengal, que tem como capital Calcutá, onde já estive muitas vezes. Com a densidade populacional que tem (é como se Portugal tivesse 100 milhões de habitantes), qualquer tragédia climática, como tem acontecido em crescendo nas últimas duas décadas no delta do Ganges (maioritariamente situado no Bangladesh), afecta centenas de milhares ou milhões de pessoas nesse país. Até há duas ou três décadas havia, em média, um ciclone que fustigava o Golfo de Bengal com efeitos temíveis no delta do Ganges, todos os 7 a 10 anos.

Desde 1991 (ano em que um ciclone matou nesse delta mais de 200 000 pessoas) que os ciclones, como os furacões no Golfo do México, mercê das gravíssimas e aceleradas alterações climáticas em curso, fustigam o Golfo de Bengala, 2 a 3 vezes por ano. O último foi em Maio do corrente ano e foi isso que me levou aos dois distritos de delta (Satkhira e Khulna). Foram dias intensos de carro, estradas perigosíssimas com autocarros bailarinos lançados que nem mísseis, de travessias de jangadas, de barcos, de canoas…

O delta continua gravemente submerso, afectando profundamente a vida de muitas dezenas de milhares de pessoas que vivem em situações de insalubridade e de precariedade inimagináveis, amontoados em tugúrios, frágeis e instáveis, ao longo dos caminhos-estradas, os pontos mais altos que circundam os campos, hoje imensos lagos ou mares… As latrinas, múltiplas, à beira das águas correm directamente para as mesmas, salobras e extremamente poluídas mas de onde se bebe…

Não espanta que 80% das enfermidades tenham a ver com essa água infecta! Essas populações precisam de tudo embora ainda alguns consigam apanhar uns peixitos, que comem, e alguns camarões para venda. Precisam de água potável, comida, assistência médica, abrigos, saneamento básico (latrinas estanques) embora o espaço para tal seja milimétrico… Como sempre os três elos mais fracos dessa cadeia humana, toda flagelada, são as crianças, as mulheres, os idosos… seres humanos como nós!... caso alguém tenha esquecido, ou finja não ver, que eles são seres humanos como nós…

Perante tudo o que vi, e após conversas com as autoridades locais das comunidades afectadas em Satkhira, decidi que a AMI vai financiar a construção e apetrecho (equipamento, medicamentos, médico e enfermeiro locais) de um hospital rural com 10 camas, no ponto mais alto possível e com estrutura para resistir a cheias e furacões, e a sanitação (clorificação da água e latrinas). É pouco, mas é o que podemos fazer. Para os pseudo-cientistas, sem ética nem coluna vertebral, que insistem em dizer e escrever que as alterações climáticas são um mito proponho-lhes, se tiverem coragem, uma viagem ao delta do Ganges no Bangladesh.

O futuro será bem pior: degelo progressivo também dos Himalaias (origem do Ganges, Rio Amarelo…) e subida do nível das águas dos oceanos… Ainda mais dramático: centenas de milhões de pessoas serão afectadas ou mortas, em regiões e países densamente povoados e financeira e tecnologicamente frágeis, que não podem já construir os diques, como os meus familiares holandeses…

Desculpem-me: vou continuar a gritar!
Até breve!

Texto integral no blog de Fernando Nobre (o autor)
London, Camden 2009


O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.» José Saramago.

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Enfermidade


Sei-te longe,
naquela distância
entre saber-me
neste chão,
e pressupor-te
nalguma razão.

Estar enferma
nesta libertação
que me cerca,
me tolhe,
me impede
de seguir,
me recolhe
na hesitação.

maria eduarda

“Respiro”

Respiro,
Se me inspiro no calor de beijos redondos
E expiro ternura morna, alegria.

Respiro,
Se me inspiro nos sorrisos dos outros
E expiro risos em mim espelhados.

Respiro,
Se me inspiro nas crianças a brincar
E expiro gestos infantis e sonhos de arco-íris.

Respiro,
Se me inspiro descalça na areia da praia
E expiro a certeza de ser parte do “Oceano”.

Respiro,
Se me inspiro no toque morno do sol dourado do entardecer
E expiro um profundo entusiasmo por viver.

Respiro,
Se me inspiro num belo texto, verdadeiro,
E expiro palavras que são chão e fazem caminho.

Respiro,
Porque me inspiro de vida e vida expiro!
Inspiro-me de doce e salgado, de luz e de sombras, e vida expiro...

Com a guerra,
com a fome,
com a dor e o desespero,
com a poluição, a exploração,
com o vazio de espírito,
com o egocentrismo, a futilidade, o materialismo,
não me inspiro,
não expiro,
não respiro...
Suspiro!

Dinamene
Inspirada num post da Lita…
O que (mais) me inspira…

...É o frio e o calor, o dia e a noite, o sol e a lua, os dias felizes e os dias difíceis (que nos fazem crescer), o mar e areia, as crianças e os seus risos, as pessoas que sonham, lutam e acreditam com esperança, os amigos, a família, os meus filhos, todas as formas de amor, os animais e as plantas, a terra, a chuva, o vento, o fogo… Inspiram-me certas palavras, muitas poesias, algumas músicas, as cores, todos os tons, alguns sons (as cigarras em noites estreladas, os risos, o cantar dos pássaros, as ondas do mar…), os cheiros (da manhã, do café, da relva acabada de cortar, da terra molhada, do pescocinho do Artur, do cabelo da Luna,…) , os sabores (do beijo, da fruta, do mar, da água e da cerveja gelada em dia de calor…) as texturas ( o toque da pele, o pelo do Pingo, a areia entre os dedos, o gelo, o pão quente, o barro,…)….

quinta-feira, 30 de Julho de 2009


«Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente.»



Fernando Pessoa “O livro do desassossego”

Parabéns Vasco

Pela primeira vez longe,
redobro a vontade
de um desejo forte
de sucesso,
numa nova etapa
da tua vida!

maria eduarda
(parabéns Filho!)

terça-feira, 28 de Julho de 2009

Como se constrói o amor?

Como se constrói o amor?
Com pequenos gestos,
doces desejos,
muita partilha
e enorme tolerância!

Uma vida é
uma soma de momentos,
uns felizes, com esperança,
outros preocupantes, com certezas.
E assim se constrói o amor.

Sonhar, acreditando,
Esperar, concretizando,
Questionar, aceitando,
Falar, ouvindo,
Construindo em cada dia,
o dia de amanhã.