quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
O silêncio da palavra
Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil
foto:G.Ludovice 2006
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
A partida
A hora da partida
não se adia,
não se olha para trás.
Na hora da partida
o corpo deve seguir uno.
Não haja um abraço que falte,
um lugar aonde ir,
um despedir!
Na hora da partida,
os nós rangem
em silêncio,
dentro de cada um de nós.
maria eduarda
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Liberto
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Duplicidade
The Temple Bar Pub ...Sergio Pitamitz
Noites movimentadas,
cidades em delírio,
de tarde, noite, noitinha,
as personagens avançam,
atropelam-se nos ânimos,
afogam-se em ilusões,
definham-se em aptidões.
Manhã, cedo, cedinho,
em ruas quase desertas,
é hora de reerguer,
limpar, lavar a imagem,
recompor a personagem,
retocar a identidade,
no mesmo ser operante.
De dia, calmo semblante,
à noite, noutro cambiante.
maria eduarda
Ser Diferente
A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.
Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
domingo, 1 de Novembro de 2009
Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil
Hoje sou apenas um bamboleado telhado de zinco, para que a chuva seja alguém que se espera em ternuras, de mesa posta, no melhor despido, de espaçosa vaga interior no próprio adentrado chão bem côncavo, para a celebrar em parecenças e a resguardar de desaparecimentos.
Ser, parecer
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida
Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos
Quissico, Abril 1981
Mia Couto in “Raiz de orvalho e outros poemas “
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidadeque parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio,
ia atirando, com a mão ,umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crinças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta.
Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil,
Não existe uma última palavra numa boca que se fechará em actualidade, haveria outra ainda igualmente importante e talvez mais bela; a que contamos como sendo o último pensamento constatado, foi apenas quebrada no seu deslizar.
Nunca nos despedimos de alguém,
mesmo que o nosso adeus seja da consistência de uma pedra.
Havia mais caminho à beira do vento e o que esvoaçar.
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
As coisas mais importantes não estão à venda
Pergunta: «Ser filho de um poeta foi determinante para o seu exercício da escrita?»A minha Mãe
Não houve tempopara despedidas,
de beijos e abraços,
porque ela partiu,
sem estar(mos) preparada(os).
Porque ficámos sós,
filhos em crescimento,
filhos sem colo,
o colo da Mãe.
E porque hoje,
como ontem e sempre,
sinto que não a tenho,
e a explicação
não encontro.
Porque é assim, não é?
É a vida...
Não é o que se diz?
Uns partem, outros nascem...
Mas ela partiu demasiado cedo,
e não nos despedimos!
maria eduarda
O meu Pai
Porque é assim que te vejo,Dedicado, garboso, voluntarioso.
Porque ficas bem com a tua farda,
cheia de galardões merecidos.
Porque há horas, como as de hoje,
de ontem e amanhã também,
em que sei
que não te posso abraçar.
Porque sinto que o último abraço
soube-me a pouco.
Porque reconheço,
que ainda haveria muito diálogo,
que ficou por ser ouvido.
E agora,
estou só, no meu monólogo.
Gosto de te ver assim vestido!
maria eduarda
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Atitude
Muitas vezesvigio-me no meu silêncio,
e tento decifrar-me,
como se de um livro se tratasse.
Algumas vezes
encontro-me só,
no cruzar de conversas,
de conteúdo vazias.
Poucas vezes
deixo de sorrir
quando pretendo
que alguém distraído,
comigo sorria.
Nenhumas vezes
me adianto,
e me centro
ávida de atenção.
O saber vem de dentro,
sem roupagens de momentos,
sem artifícios sedentos
de exposição permanente.
Valiosa é a mente,
instruída, autêntica,
em constante procura,
em saudável loucura.
maria eduarda
domingo, 25 de Outubro de 2009
sábado, 24 de Outubro de 2009
O ASSALTO
"Um desses dias fui assaltado. Foi num virar de esquina, num desses becos onde o escuro se aferrolha com chave preta. Nem decifrei o vulto: só vi , em rebrilho fugaz, a arma em sua mão. Já eu pensava fora do pensamento: eis-me!
(...) É assalto sem sobressalto.
Me conformei, e é como quem leva a passear o cão que já faleceu.
Afinal, no crime como no amor: a gente só sabe que encontra a pessoa certa depois de encontrarmos as que são certas para outros."
Mia Couto, in "O Assalto"
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
A minha raiz
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Nebuloso Medo
Encontrava-me num daqueles momentos, raros na vida, em que chegamos ao fim de um caminho e poucas opções temos mais que seguir em frente, mesmo que de olhos semi-cerrados.A passos do cartaz que dizia “dia 15, atira-te de cabeça”, lembro-me da angústia que sentia, da vontade de andar para trás, de fugir na direcção contrária. Olhava timidamente para os lados e não via nada mais a não ser neblina e, em frente, apenas nevoeiro. Nas minhas costas estava uma vida, de alguns sobressaltos e quase sempre feliz, ainda incompleta…
O Medo pode turvar-nos a visão, poderá por vezes assombrar-nos, fazer-nos sombra nebulosa.
Mais perto do mergulho no desconhecido (porque nem todas as mudanças na vida são escolhas planeadas ou pensadas, há escolhas que são urgências, mudanças que se impõem), comecei a vislumbrar finos raios luminosos, indicando-me subtilmente que do lado de lá não estava o fim temido, apenas luz, luz branca e colorida, como na vida.
Fui… Aceitei… mergulhei no, já menos denso, nevoeiro!
Ri-me, sentindo a certeza do meu pulsar… Neste caminho novo que percorro, sinto a vida num trilho largo, longo, até lá onde a vista não alcança…
Para trás do cartaz, medo e sombra, nadas que agora são passado.
Incentivo
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
As mãos nos bolsos
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Ao pai
que eu levo na minha mão
é uma raiz
que eu planto em mim mesmo.
António Reis, “Palavras de Cristal”
domingo, 18 de Outubro de 2009
As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas de mãos.
E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
A dor
Window PainDiana Ong
sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil,
Putney Bridge 2009foto:G.Ludovice
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Interiores
Na beleza crepuscular,incendeia-se a visão
de olhar além,
onde nada é ninguém.
Céu, mar e terra,
junção de forças,
alicerces a conquistar,
para que se possa ver sempre além,
quando não é preciso
haver alguém.
Basta sobrevoar,libertar,
naufragar, se preciso for:ESTAR.
Chegar além,
sem sair do lugar,
alcançar o luar, o mar,
e com eles voltar,
mais rico na busca
da paz, da leveza,
desta singular destreza,
do saber apreciar,
o que é nada para alguém,
que não vê com clareza!
segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
Um livro
sábado, 10 de Outubro de 2009
quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Prémio Nobel da Literatura 2009
À novelista, ensaísta e poeta alemã de origem romena, Herta Müller foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura de 2009. Nascida a 17 de Agosto de 1953, na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, na Roménia, estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a Securitate, a polícia política de Nicolae Ceaucescu. Müller acabou por abandonar o seu país em 1987 para ir para a Alemanha com o marido, o também escritor Richard Wagner. Para trás deixou uma longa luta perdida pela publicação dos seus trabalhos frontalmente críticos ao regime totalitário de Ceausescu, que acabaria por ser derrubado dois anos depois. Vive em Berlim desde 1987.
A sua obra dá voz às inquietações das duras condições de vida de minorias durante a ditadura de Ceausescu. No caso de «O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra», a acção centra-se no destino de uma família alemã que espera com ansiedade a autorização para abandonar a Roménia, situação que Herta e seu marido dramaticamente viveram. A corrupção, a perseguição e a intolerância política, são as temáticas mais exploradas por Herta.
Herta Müller, dez anos depois de Günter Grass, é a décima autora alemã a receber o Nobel. Thomas Mann (1875-1955), galardoado em 1929, o autor de «A Montanha Mágica», foi um dos escritores germânicos premiados cuja obra mais perdurou para além da fama efémera do famoso galardão. O prémio atribuído pela Academia Sueca tem actualmente um valor de 980 mil euros e será entregue em Estocolmo no dia 10 de Dezembro.
Reticências
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma,
como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Desalento
Um sonho!Parecia real,
repleto de afectos,
de vontades,
indomáveis,
intermináveis...
Esse sonho
abriu uma fissura
e espreitou a vida,
tal qual ela é.
Não soube onde pousar,
se na vida tal e qual,
se na memória real.
Há-de encontrar assento,
longe do lamento,
num lugar de destaque,
para que prossiga,
talvez, um dia,
num qualquer momento!
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Dia Mundial do Professor



Da M., do J., e da C.,. Já estão na Universidade. Como me comovi no dia em que me entregaram este envelope, carregado de carinho! E atrás vinha a M., com um grande ramo de flores. Sorrir assim...
Sorrir assim, é sentir a infância liberta de perigo, resguardada no colo, sossegada nas mãos que amparam a criança.sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Já fiz cócegas no meu sobrinho, só para ele parar de chorar.
Já me queimei, brincando com o lume.
Já fiz balões com pastilha e fiquei com o rosto todo colado.
Já conversei com o espelho e até já me mascarei de Homem Biombo!
Já quis ser astronauta, violinista, mágico, caçador e trapezista...
Já me escondi atrás da cortina, mas esqueci-me dos pés de fora.
Já passei secas ao telefone.
Já tomei banho de chuva e adorei.
Já roubei beijos.
Já confundi sentimentos.
Já percorri atalhos errados e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz doce.
Já fui pai.
Já me cortei, fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido ao telhado para contar estrelas.
Já subi árvores para roubar fruta.
Já caí da escada.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei às escondidas no cinema.
Detalhes Adicionais
Já fugi de casa para sempre, mas voltei no outro instante.
Já corri para não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi o pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me atirei à piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e, mesmo assim, não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro.
Já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de me levantar.
Já apostei que correria descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva de madrugada e vi a Lua transformar-se em Sol.
Já fiquei triste por ver amigos partir, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú chamado coração. E agora uma pergunta me interroga, encosto-me na cama e oiço gritar: 'Qual é a tua experiência?' Essa pergunta ecoa no meu cérebro: “Experiência”... “Experiência...”
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não, talvez o mundo ainda não saiba colher sonhos! Gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
“Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?”
Professores
Que bom se todos os professores fossem perfeitos… O ideal seria até uma pessoa inteligente, interessante e engraçada, com grande capacidade para explicar a matéria, justa a dar notas, que só fizesse testes fáceis e, claro, que ao mesmo tempo admirasse e aprovasse tudo o que fizesses. Belo sonho…Podes até acabar por ter um professor que se aproxime muito da pessoa que gostarias que te desse aulas, no entanto, a maior parte das vezes, quem está sentado à secretária não tem só qualidades. E o mesmo acontece contigo.
Um professor pode ser capaz de descrever uma batalha histórica com tanto pormenor que te parecerá estares a presenciá-la; mas, quando chega ao teste, as suas perguntas mais se assemelham a uma emboscada… Pode também acontecer o professor ser capaz de te meter com toda a facilidade na cabeça conceitos matemáticos mais complicados, mas depois te tire 1% no teste só porque fizeste um errozinho de nada. (…)
O teu objectivo é resolveres da melhor forma possível tudo o que te apareça pela frente. Isso implica admitires que talvez estejas a contribuir para algumas das dificuldades criadas e alterares o teu comportamento de forma a evitares problemas futuros.
O ingrediente mais importante de todos é o respeito. É importante não esqueceres que, para respeitares uma pessoa, não é preciso gostares dela. Do mesmo modo, para que te respeitem, não é preciso que gostem de ti.
Tens o dever de respeitar os professores e de aprender.
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
(In)conclusivo
terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Eficácia
http://olhares.aeiou.pt/under_the_sun_foto3067276.htmlSublime intenção,
abarcar todo o céu
na vida, em dimensão!
E à noite, abraçar a lua,
e direccionar a sua luz
no patamar de todos os dias.
Sublime redenção,
à imensidão da vontade,
à luz reflectida no querer!
É suficiente olhar,
e fazer das horas,
a força que impele o ser
ao virar do dia e da noite,
no sonho que é viver!
maria eduarda
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
O GATO
Com um lindo saltoO gato passa
Com um lindo salto
Leve e seguro
Vinicius de MORAES
sábado, 26 de Setembro de 2009
ANÁLISE

Jonathan Andrew
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
A saudade
A saudade é uma linha no pensamento, que enche uma página pautada, de lembranças.A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)
MIA COUTO
terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Peripécias
segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Um rio? Será o rio Tâmega?
Perante estas duas fotos, todas as palavras seriam portadoras de um sentimento de desânimo, de revolta, contra quem não presta a devida atenção à natureza.
domingo, 20 de Setembro de 2009
“Ganhei” um gato ou salvei um gato?
Eu???? Isso é que era bom! Muito lindos, os gatinhos, não digo que não, mas em casa dos outros, nos filmes, nos postais.
Quando a minha neta me falou da hipótese dela e família adoptarem um gatinho “liiiinnndo, liiinnndo, avó”, eu fiquei estupefacta, escandalizada, para não dizer em estado de choque, pois sei que já têm um cão, também “liiiinnnndo” e indisciplinado q.b., que lhes dá “água pela barba”!
Perante o choque que me provocaram, não voltaram a falar-me dos gatinhos da vizinha, raçados de persa e siamês, que a sair à mãe, seriam encantadores.
Ponto final. Férias. Praia. Descontracção.
Um dia, a boca da minha neta fugiu-lhe para a novidade pós-férias (além da entrada no 2.º ciclo). A vizinha já tinha dito à mãe que o gatinho estava quase em condições de ir lá para casa.
As sensações repetiram-se. E a minha ladainha: "Um gato é uma prisão, o cão já vos dá trabalho, preocupações e despesas, não podemos ter tudo o que nos apetece".
Mas a mãe da minha neta já se tinha encantado com o gato. Para todos, lá em casa, o gato era uma óptima ideia. “É bom as crianças convirem com animais e partilharem com eles brinquedos e brincadeiras, aprender também a tratar deles, ajudar na sua higiene, etc”.
Calei-me. A casa não é minha, o meu conselho não funcionava, o melhor era ignorar e calar-me de vez sobre tal assunto, para não me consumir com preocupações que não eram minhas.
Entretanto o gato foi lá para casa e lá vêm as sms e os mails com as novidades: as gracinhas do “bebé” de um mês, “liiinndo, liiindo”, mas que não podia passar dos quartos para a sala e cozinha. A aversão que o Pinguinho, agora circunscrito a uma parte da casa, manifestara pelo novo inquilino, poder-lhe-ia ser fatal. Como resolver?! Ir aproximando o gato do cão, ao colo, devagarinho, até que chegasse o momento de empatia e a vontade de admitir que o gatinho até poderia coabitar naquele espaço que a ele pertencia.
Mas, qual quê!!! O cão transformava-se numa fera indomável só de ver o cão ao colo, só de o cheirar ali perto! Num instante, “Era uma vez um gato…”
As informações chegam-me em catadupa. As crianças iriam assistir, se houvesse uma distracção (abre porta, fecha porta, abre porta, fecha porta), à terrível cena do cão “tão liiindo” a abocanhar o gato “tão liiiindo”???
Proponho, pelo telefone, na tentativa de ajudar “Então, quando passarmos por aí, trazemos o Pingo!”
“O Pinguinho não, é o meu cão, não posso ficar sem o meu «penguenho»!”
Sim, realmente seria uma injustiça e, sobretudo, anti-pedagógico. Levaria a garota a “abandonar” o seu cãozinho, para ficar com o “brinquedo” novo. Na verdade, completamente fora de questão.
Então???!!! Quando passámos por lá, vivia-se o problema, sem solução à vista.
“Dás o gato a alguém que queira e conheças, poderás ir visitá-lo sempre que quiseres!”, sugiro eu.
“Ah, mas não é isso que eu quero, o gato é nosso, assim vou ficar sem o gato. Leva tu o gato, avó!”
“Eu??? O gato não! Se fosse o cão, sim, mas gatos, nem pensar.”
“Mas o gato é tão lindo, não te vai dar trabalho, a sério. E assim vai continuar nosso!”
“Levo o cão. Dás o gato. Quando nós cá voltarmos, daqui a quinze dias, trazemos-te o teu Pinguinho, porque entretanto o gato já está noutra casa.”
“Não! Eu gosto do cão e gosto do gato!!!”
O tempo a passar e nenhuma decisão. Iam ficar com os dois “liiiinnnndos” em casa, numa casa dividida ao meio para impedir um cão de matar um gato indefeso, bebé de um mês e uma semana.
Diz o avô “Eu n saio daqui enquanto não levar um, não quero receber um telefonema a dizer que deixaram a porta aberta e que o Pingo está com o gato pendurado pelo pescoço!”
Silêncio.
E o avô continua “ Então, como é?! Nós levamos o gato. Pode ser que depois de crescido o cão já o aceite e fica tudo resolvido!”
E eu de boca aberta, sem palavras, incrédula, a tentar perceber o que “me” estava a acontecer!
“Vá, levamos o gato!”
sábado, 19 de Setembro de 2009
Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil
Estou ainda em longa viagem, Pai.
LondonFoto:G.Ludovice 2009
O âmago está no seu quarto a escrever
sobre o que pensa ser a realidade, lá fora.
Surpreende-se.
Mas não vai vivê-la?
Está na rua, contente
por pensar menos e viver mais.
Sentado num jardim sobre o seu bloco,
escreve sobre o que é estar no seu quarto.
Surpreende-se.
Não o vai saber desde o seu interior?
Vai para casa
e desenha pardais num guardanapo.
É isso, estrangeirar-se do momento.
In:Caixinha com rodas, nº9, Ed GEIC
quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
QUE CAVALOS SÃO AQUELES QUE FAZEM SOMBRA NO MAR?
E aqui anda a noite à roda, à roda e eu com ela como um papelinho com que o vento brinca, apanha-me, larga-me, empurra-me, corre, mais adiante, a prender-me nos dentes, esquece-se de mim, torna a lembrar-se, poisa-me uma pata em cima, vai-se embora. O vento. Em certas alturas, dantes, na casa velha dos meus pais, estremecia os caixilhos, na de Nelas batia um ramo contra a janela e eu deitado no escuro, com medo, enquanto o ramo falava sem cessar. Dizendo o quê? Nunca entendi o vento. Ontem, no fim do almoço das quintas-feiras no restaurante onde me junto a um grupo de amigos, o Vitorino e o Janita Salomé cantaram uma moda de Natal onde, a propósito dos Reis Magos, a letra pergunta que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? Eles dois um grupo inteiro, a voz do Janita borda por cima da voz do irmão e nós a escutarmos, encantados. Estes dois versos não me largam: que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? Gostava de usá-los como título de um livro: tocaram não sei onde, no mais fundo de mim, e eu comovido como tudo, com lágrimas dentro. Porquê? Vou repeti-los mais uma vez dado que não cessam de perseguir-me: que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? É quase Natal, uma época em que me lembro ainda mais do meu avô. Ruas iluminadas que tornam a noite triste, grinaldas de lâmpadas, uma festa que tremelica no escuro. Há horas recebi a notícia da morte do meu editor francês, Christian Bourgois. Era meu amigo, trabalhávamos juntos há vinte anos, depois da sua operação ao cancro fui por diversas ocasiões a Paris estar com ele. Uma manhã disse-lhe:– És um grande editor.
Ele respondeu:
– Não há grandes editores sem grandes autores e a modéstia das suas palavras alegrou-me. Tinha um imenso faro para descobrir talentos, não se tornou nunca um comerciante, os livros constituíram sempre a sua razão de ser. Não há muitos editores que eu estime e respeite. Que horrível coisa perder um amigo: e as grinaldas de lâmpadas a tremelicarem no escuro, a tremelicarem no escuro, a tremelicarem no escuro. A melancolia das lâmpadas, gente por todos os lados, enervada, com pressa. Desde que cresci o Natal tornou-se uma multidão de gente enervada e com pressa. Que não fazem sombra no mar. Não fazem sombra em parte alguma, zangam-se apenas: deve tratar-se do espírito da quadra. Não fui eu que perdi um amigo, foi o Christian que perdeu tudo. Canta, Janita: que cavalos são aqueles? Negócio sinistro, o da Literatura, as maldades, os meandros, o dinheiro. A quantidade de alturas em que me vêm ganas de não publicar mais nada. Isto para não falar daquilo a que chamam autores. Mas noventa e nove por cento desses, tal como a multidão de gente enervada e com pressa, não fazem sombra no mar. Há tão poucos escritores capazes disso. Canta, Vitorino: cubram-me de Alentejo até não sentir frio, de oliveiras a perder de vista, de campos. Quero ser um papelinho que o vento apanha e larga, empurra, prende nos dentes, esquece, quero um ramo contra a janela a falar sem descanso. Dá-me uma mãozinha, Janita: que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? Ainda o fim-de-semana passado, na foz do Douro, ondas enormes. Um quarto para as palmeiras, as ondas. Depois das ondas ficava a espuma sozinha, pendurada no ar. Em que me penduro eu, em que nos penduramos nós? Dá-me ideia que com o tempo vou ganhando uma solidez de pedra. Mesmo ao mover-me fico. Quando eles cantam as veias do pescoço engrossam, os olhos mudam, fitando para dentro. Beja à distância, alargando-se devagar. Sinto-me eterno em Beja. O hospital cheio de doentes onde fui por causa do ouvido. Será impressão minha ou as mulheres, nas terras pequenas têm mais beleza? No Algarve, por exemplo, na Póvoa de Varzim. No Montijo, onde trabalhei no regresso de África? Pântanos, água, barcos moribundos, só costelas. Pássaros que não conhecia. Uma tarde, na margem sul do Tejo, um cavalo branco atravessou de súbito a estrada, a galope, de crina longa que dançava. Tratar-se-ia de um dos bichos da moda? Devia tratar-se dado que continua a fazer sombra em mim. E agora? Acende um cigarro, António, prepara o final: uma coisa que se veja, bonita, serena. O quê? Como? Rumores, rumores, escuto silêncios que conversam, vozes que não há, escuto cheiros e cores, sinto-os na língua. E escurece: hoje é o dia mais curto do ano, vinte e um de dezembro. Dezembro com minúscula, sempre escrevi os meses com minúscula. Nasci em setembro, as vindimas sou eu. Lá vinham os carros de bois com as pipas, lentíssimos e eu a pasmar para um pedaço de mica. Os reflexos da mica. A serra azul. O rápido das seis. Vagabundos a atravessarem o pinhal, cheios de raiva. De bordão e barba. Os capotes rasgados e por baixo não as camisas, a pele. Pensando bem são eles os cavalos que fazem sombra no mar, os Reis Magos. Trazem oiro, o incenso e a mirra embrulhados em papel pardo. E eu nas palhinhas, nu, a sorrir-lhes.
António Lobo Antunes
Ao filho, que foi menino
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
O ensino
Alice Miel
sábado, 12 de Setembro de 2009
«Estuda filosofia», ou: «Tira o teu curso».
Dirão apenas: «Tu já sabes.»
Richard Bach
Eleição
Neil Emmerson
ao acaso jogada,
no meu percurso,olhada.
Retrocedi,
alisei-a, recuperei-a,
e agora com outro fim,
depositei-a bem no centro
do meu jardim.
Aí detenho-me
diariamente, no lazer,
no tratar, no embelezar.
A pedra roliça
adorna o canteiro,
e encanta-me a mim,
na primeira função,
da mensagem do recanto,
em lugar eleito
de meditação.
maria eduarda
quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
A vida...
Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada.Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.
O Constante Diálogo
Há tantos diálogos o indiferente
o oposto
quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
terça-feira, 8 de Setembro de 2009
domingo, 6 de Setembro de 2009
Resolução
http://olhares.aeiou.pt/o_portalda_simplicidade_foto2715132.htmlsábado, 5 de Setembro de 2009
Os Nossos Eus
Virginia Woolf, in "Orlando"
sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Flores de Amendoeira

Algumas nuvens, muito brancas, lembravam-me o seu branco cabelo…
Parecia-me ver as nuvens agrupando-se em rendilhados finos, com flores, nós pequeninos.
Uma lágrima escorria-me no rosto sério, sereno, e todo o céu ficou reflectido naquela gotinha de tristeza. Então, vi que eram as suas mãos que faziam renda em flocos de nuvens, fios de luz.
Senti-me envolvida por um abraço azul, imenso, quase ouvi um sussurro:
“Estou bem, Ménita… Estou bem….”
Vou recordar-te com o carinho que nos tinhas e que transformava, com as tuas mãos, os figos e as amêndoas em flores doces… Com as mãos, que também preparavam carapaus alimados ou faziam renda com um pormenor dedicado, perfeito.
Vou recordar também essa teimosia que te caracterizava, as piadas marotas, a força que o teu corpo grande mostrava, a força que tinhas.
Vou recordar-te sempre , queria Avó Ema. E quando olhar as nuvens vou ver flores de amendoeira bordadas no céu, brancas como os teus ondulados cabelos.
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Tentativa
Quero ter todas as cores,simples, combinadas, misturadas,
tonalidades em mim erradas,
quando não assimilo os odores.
Nos dias cinzentos quero ser ave,
revoltar-me contra o momento,
exasperar-me num tormento,
alinhar-me em semblante suave.
Em dias de ansiedade,
deslizo nos contornos suaves
de uma qualquer vontade,
capaz de me não colocar entraves.
E o objectivo desenhado,
insisto, resisto, vacilo,
na força, procuro alinhado
o meu ser, em completo asilo.
maria eduarda
A importância dos filósofos
Gonçalo M. Tavares, O senhor Brecht, Caminho
sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
Nunca nos separamos do primeiro amor
in: http://olhares.aeiou.pt/clones_foto2595704.htmlquarta-feira, 26 de Agosto de 2009
Planta Betadine
Chelidonium majus
Já ouviram falar da planta-betadine?
Também conhecida por erva andorinha, erva leiteira , erva das verrugas, celidónia, cedronha, cerudia, quelidónia, ceredona, ceruda.etc…
Pois eu nunca tinha ouvido falar, até esta há dias, quando ao ver uma pequena queimadura pintada de “betadine” no braço de uma vizinha comentei: "Já se magoou?" E Ela disse-me ” Queimei-me e pus planta betadine, boa para as feridas” Eu, admirada, perguntei-lhe de que se tratava e lá me “apresentou” a planta do betadine (segundo ela) e mostrou-me, arrancando uma folha, como deitava a cor do betadine ao esfregar na pele...

Achei curiosa e cómica a terminologia…. A mistura das tradições antigas e tratamentos naturais com os medicamentos modernos (a planta existia antes do nome betadine, com certeza)…
Por isso, fui pesquisar na net e aí vai um pouco do que li:
Propriedades medicinais:
- As folhas esmagadas e o líquido que deita, da cor da betadine e aplicado nas feridas dizem ter poderes cicatrizantes.
- Nos meios rurais, esta planta é conhecida como erva-das-verrugas, pois o seu suco cáustico faz desaparecer estas excrescências. Contudo, esta planta não é inofensiva, pois contém alcalóides tóxicos, pelo que é altamente desaconselhável ingerir a planta seca ou fresca, excepto por prescrição médica. Os homeopatas utilizam a sua raiz.
Floração: De Março a Setembro
Distribuição: Frequente em quase todo o país.
Curiosidades:
O seu nome “erva – andorinha” deriva da palavra grega chelidôn, andorinha, pois a planta floresce na época da sua migração.
segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Felicidades Turyma!

Não Sou o Único
Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ver os sonhos partirem
À espera que algo aconteça
A despejar a minha raiva
A viver as emoções
A desejar o que não tive
Agarrado às tentações
E quando as nuvens partirem
O céu azul brilhará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará
Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu
Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu
Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ouvir os conselhos dos outros
E sempre a cair nos buracos
A desejar o que não tive
Agarrado ao que não tenho
Não, não sou o único
Não sou o único a olhar o céu
E quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará
Xutos e Pontapés
domingo, 23 de Agosto de 2009
Coisas de Mãe....

Outro dia, ao entardecer, ao passar numa rua quase deserta, vi uma senhora, velhota, muito pequenina (para aí metade do meu tamanho!?), muitas rugas na cara franzida, muito branco o cabelo curto, o corpito redondo vestido de negro, a andar para cá e para lá (espreitando um terreno e um portão) como se procurasse alguém…. Sensibilizou a figura frágil e irrequieta pelo que lhe perguntei o que procurava…
Então, ela olhou-me com os seu olhitos muito azuis e aguados e disse-me numa voz trémula, melodiosa e muito baixinha: “Sim, procuro o meu filho. Importa-se de espreitar para ver se ele está ali ao fundo?”
Muito para lá do portão, quase perto do horizonte, havia uma casa e espreitei, não vendo ninguém. Ela, aflita, disse-me “Estou preocupada, já chamei e ele não responde. Eu trouxe-lhe o jantar porque é hora dele comer!”…
Pareceu-me tão estranha a situação que ainda pensei se a senhora não estaria a inventar um “filho” e sugeri:
"Vá para casa descansar, que ele aparece".
E ela, enervada: “Não, querida, ele já devia ter comido”
"Que idade terá o filho?" – passava-me pela cabeça… Entretanto, lá apareceu ao fundo, perto da casa, um matulão ( que devia ter, mais que eu, a metade de tamanho que faltava à mãe para ser da minha altura), encorpado, que caminhava na nossa direcção…
Resolvi ir embora, visto que o problema se resolvia… Ainda ouvi a senhora para o filho naquela voz ternurenta, mimosa, trémula : “Então não respondias, estava tão preocupada. Qualquer dia dá-me uma coisa. Trouxe-te água, arroz, pão….” E o resto já não ouvi.
Coisas de mãe, sem dúvida. Aquele matulão é que já tinha corpinho para cuidar da mãe, coitadinha… Enfim, é a natureza da mulher-mãe que não a deixa tirar os olhos dos seus rebentos, mesmo que já voem, muito além de onde a vista pode alcançar!
sábado, 22 de Agosto de 2009
Curiosidades estéticas
PoetryAlphonse Mucha
É ser-se criador - criar beleza.
Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.
Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir uma voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.
Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.
António Botto, As Canções de António Botto
quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Encontro
in: http://olhares.aeiou.pt/geracoes_foto2303266.html Se a ouvires,
alberga as suas palavras,
memoriza-as tal e qual,
e trá-las até mim,
para que eu entenda,
a presença em ausência.
Se a abraçares,
repara na sua beleza,
no seu sorriso sereno,
na sua vontade de amar,
no seu quê de doçura,
na brandura do seu gesto.
E vem...
Traz o brilho do seu olhar,
para que eu o alcance,
e faça dele, o meu serenar.
maria eduarda
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
As iniciais do meu nome desenhadas pela Gabi
sábado, 15 de Agosto de 2009
Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil
Praga 2009foto:G.Ludovice
Angustia-me que a minha memória me use como uma sala, que toda tenha decorado de ti.
sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
Morre lentamente...

Quem não lê,
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte
Evitemos a morte em doses suaves,
Martha Medeiros
quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
Deambular
Evening On Canal Str...Diane Millsap
A criação do Mundo
No início era o caos. O céu e a terra eram como a clara e a gema do ovo. Então nasceu Pan-Kou, o primeiro homem, que deu forma ao céu e à terra. O céu ele fez das coisas claras e brilhantes, e da escuridão e da impureza a terra. Pan-Kou se transfigurava nove vezes por dia, e a cada dia o céu e a terra se elevavam dez pés. No final de sua vida, que durou dezoito mil anos, o céu estava muito alto e a terra muito densa. Então, Pan-Kou chorou. E do caudal de suas lágrimas fizeram-se o Hoang-Ho e o Iang-Tse, o rio das águas amarelas e o rio das águas azuis; ele respirou e o vento soprou; falou e ouviu-se o trovão; olhou à sua volta e de seus olhos surgiram raios. Se Pan-Kou estava alegre, o tempo era ameno; se estava enfurecido, o tempo era escuro e nublado. Quando morreu, seu corpo se desfez em pedaços e deles se formaram as Cinco Montanhas Sagradas da China. Seus olhos transformaram-se no sol e na lua; sua carne se fundiu em mares e rios, e seus cabelos penetraram no chão e formaram raízes, cobrindo a terra de plantas.domingo, 9 de Agosto de 2009
sábado, 8 de Agosto de 2009
sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
Gerações
quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
terça-feira, 4 de Agosto de 2009
segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
domingo, 2 de Agosto de 2009
sábado, 1 de Agosto de 2009
Carta de Fernando Nobre
(...) quero deixar aqui algumas reflexões sobre o que vi durante a minha última estadia no Bangladesh, que terminou há dias. Nos últimos dez anos, foi a terceira vez que fui ao Bangladesh, cuja capital Dhaka (floresta) foi fundada por padres portugueses no sec. XVII e onde ainda hoje continuam a morrer habitantes, de uma minoria católica, com apelidos portugueses: Albergaria, Soares, Costa…
O objectivo desta viagem foi o de contactar uma ONG local em Jessore, uns 280Km para sul de Dhaka, para financiarmos projectos que aprovei, nas áreas da saúde e educação, e tomar contacto com a realidade das tragédias repetitivas que ocorrem no delta do Ganges.
Os bengalis do Bangladesh são o mesmo povo que habita o estado indiano do West Bengal, que tem como capital Calcutá, onde já estive muitas vezes. Com a densidade populacional que tem (é como se Portugal tivesse 100 milhões de habitantes), qualquer tragédia climática, como tem acontecido em crescendo nas últimas duas décadas no delta do Ganges (maioritariamente situado no Bangladesh), afecta centenas de milhares ou milhões de pessoas nesse país. Até há duas ou três décadas havia, em média, um ciclone que fustigava o Golfo de Bengal com efeitos temíveis no delta do Ganges, todos os 7 a 10 anos.
Desde 1991 (ano em que um ciclone matou nesse delta mais de 200 000 pessoas) que os ciclones, como os furacões no Golfo do México, mercê das gravíssimas e aceleradas alterações climáticas em curso, fustigam o Golfo de Bengala, 2 a 3 vezes por ano. O último foi em Maio do corrente ano e foi isso que me levou aos dois distritos de delta (Satkhira e Khulna). Foram dias intensos de carro, estradas perigosíssimas com autocarros bailarinos lançados que nem mísseis, de travessias de jangadas, de barcos, de canoas…
O delta continua gravemente submerso, afectando profundamente a vida de muitas dezenas de milhares de pessoas que vivem em situações de insalubridade e de precariedade inimagináveis, amontoados em tugúrios, frágeis e instáveis, ao longo dos caminhos-estradas, os pontos mais altos que circundam os campos, hoje imensos lagos ou mares… As latrinas, múltiplas, à beira das águas correm directamente para as mesmas, salobras e extremamente poluídas mas de onde se bebe…
Não espanta que 80% das enfermidades tenham a ver com essa água infecta! Essas populações precisam de tudo embora ainda alguns consigam apanhar uns peixitos, que comem, e alguns camarões para venda. Precisam de água potável, comida, assistência médica, abrigos, saneamento básico (latrinas estanques) embora o espaço para tal seja milimétrico… Como sempre os três elos mais fracos dessa cadeia humana, toda flagelada, são as crianças, as mulheres, os idosos… seres humanos como nós!... caso alguém tenha esquecido, ou finja não ver, que eles são seres humanos como nós…
Perante tudo o que vi, e após conversas com as autoridades locais das comunidades afectadas em Satkhira, decidi que a AMI vai financiar a construção e apetrecho (equipamento, medicamentos, médico e enfermeiro locais) de um hospital rural com 10 camas, no ponto mais alto possível e com estrutura para resistir a cheias e furacões, e a sanitação (clorificação da água e latrinas). É pouco, mas é o que podemos fazer. Para os pseudo-cientistas, sem ética nem coluna vertebral, que insistem em dizer e escrever que as alterações climáticas são um mito proponho-lhes, se tiverem coragem, uma viagem ao delta do Ganges no Bangladesh.
O futuro será bem pior: degelo progressivo também dos Himalaias (origem do Ganges, Rio Amarelo…) e subida do nível das águas dos oceanos… Ainda mais dramático: centenas de milhões de pessoas serão afectadas ou mortas, em regiões e países densamente povoados e financeira e tecnologicamente frágeis, que não podem já construir os diques, como os meus familiares holandeses…
Desculpem-me: vou continuar a gritar!
Até breve!
London, Camden 2009O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.» José Saramago.
sexta-feira, 31 de Julho de 2009
“Respiro”
Respiro,Se me inspiro no calor de beijos redondos
E expiro ternura morna, alegria.
Respiro,
Se me inspiro nos sorrisos dos outros
E expiro risos em mim espelhados.
Respiro,
Se me inspiro nas crianças a brincar
E expiro gestos infantis e sonhos de arco-íris.
Respiro,
Se me inspiro descalça na areia da praia
E expiro a certeza de ser parte do “Oceano”.
Respiro,
Se me inspiro no toque morno do sol dourado do entardecer
E expiro um profundo entusiasmo por viver.
Respiro,
Se me inspiro num belo texto, verdadeiro,
E expiro palavras que são chão e fazem caminho.
Respiro,
Porque me inspiro de vida e vida expiro!
Inspiro-me de doce e salgado, de luz e de sombras, e vida expiro...
Com a guerra,
com a fome,
com a dor e o desespero,
com a poluição, a exploração,
com o vazio de espírito,
com o egocentrismo, a futilidade, o materialismo,
não me inspiro,
não expiro,
não respiro...
Suspiro!
Dinamene
O que (mais) me inspira…
...É o frio e o calor, o dia e a noite, o sol e a lua, os dias felizes e os dias difíceis (que nos fazem crescer), o mar e areia, as crianças e os seus risos, as pessoas que sonham, lutam e acreditam com esperança, os amigos, a família, os meus filhos, todas as formas de amor, os animais e as plantas, a terra, a chuva, o vento, o fogo… Inspiram-me certas palavras, muitas poesias, algumas músicas, as cores, todos os tons, alguns sons (as cigarras em noites estreladas, os risos, o cantar dos pássaros, as ondas do mar…), os cheiros (da manhã, do café, da relva acabada de cortar, da terra molhada, do pescocinho do Artur, do cabelo da Luna,…) , os sabores (do beijo, da fruta, do mar, da água e da cerveja gelada em dia de calor…) as texturas ( o toque da pele, o pelo do Pingo, a areia entre os dedos, o gelo, o pão quente, o barro,…)….
quinta-feira, 30 de Julho de 2009
terça-feira, 28 de Julho de 2009
Como se constrói o amor?
Como se constrói o amor?Com pequenos gestos,
doces desejos,
muita partilha
e enorme tolerância!
Uma vida é
uma soma de momentos,
uns felizes, com esperança,
outros preocupantes, com certezas.
E assim se constrói o amor.
Sonhar, acreditando,
Esperar, concretizando,
Questionar, aceitando,
Falar, ouvindo,
Construindo em cada dia,
o dia de amanhã.



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