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terça-feira, agosto 12, 2008

"Vai aonde te leva o coração"

"Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te de que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e de que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e estar sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos.E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração.Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar.


Penso que parte deste excerto já foi um post da Solange, mas não é demais a repetição. A mensagem é muito forte e ajuda-nos bastante a reflectir.
Solange, li o livro há pouco tempo, num ápice! Gostei muito e ao mesmo tempo entristeceu-me a postura das personagens: foi preciso errarem, não ouvirem o coração, para depois chegarem à conclusão de que é preciso dizer a quem amamos, o que sentimos. Mas afinal trata-se da realidade, muitas vezes erramos, mas se estivermos atentos, não voltaremos a repetir o mesmo erro!
Aconselho a leitura!

terça-feira, julho 01, 2008

Extremamente frágil

Neste frenesim racionalista, esquecemo-nos de que o corpo é governado pela cabeça. E a cabeça, entregue a si própria, sem pontos de referência, é extremamente frágil: as emoções devastam-na e tornam-na tão instável como uma extensão de água atravessada por uma tempestade. Pode ter-se mandado analisar, fotografar e investigar os recantos mais ocultos do nosso corpo e não se ter recebido um diagnóstico satisfatório.
Então, em vez de procurarmos a causa do mal-estar dentro de nós, começamos a pensar que somos vítimas de qualquer coisa externa – qualquer coisa obscura e misteriosa – que a pouco e pouco nos vai afastando dos outros e de nós próprios.E se o médico nos tivesse dito desde o início uma coisa diferente? Se, em vez de propor que fizéssemos análises e colheitas, nos tivesse perguntado: «Porque é que tem uns olhos tão tristes? Que mágoa tem no coração? Quando foi a última vez que se deitou num campo e olhou para o céu através dos fios da erva? Quando é que ouviu o vento entre as folhas? Alguma vez sentiu gratidão pelo facto de existir e fazer parte desta extraordinária aventura que é a vida?»

Susanna Tamaro in Cartas a Mathilda

domingo, junho 29, 2008

"Vai aonde te leva o coração"

"...não somos seres suspensos em bolas de sabão, que vagueiam felizes pelos ares; nas nossas vidas há um antes e um depois, e esse antes e esse depois são uma ratoeira para os nossos destinos, pousam-se sobre nós como uma rede se pousa sobre a presa.(...) O destino possui todo o poder e o esforço da vontade não passa de um pretexto. (...)...quando o caminho atrás de ti é mais comprido do que o que tens à tua frente, vês uma coisa que nunca tinhas visto antes: o caminho que percorreste não era a direito mas cheio de encruzilhadas, a cada passo havia uma seta que apontava para uma direcção diferente; dali partia um atalho, de acolá um carreiro cheio de ervas que se perdia nos bosques. Alguns desses desvios fizeste-os sem te aperceberes, outros nem sequer os viste; não sabes se os que não fizeste te levariam a um lugar melhor ou pior; não sabes, mas sentes pena. Podias fazer uma coisa e não fizeste, voltaste para trás em vez de seguir em frente.(...)E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar." "...a principal qualidade do amor é a força..."
excerto de "Vai Aonde Te Leva o Coração" de Susanna Tamaro