
quarta-feira, outubro 06, 2010
Dias cinzentos...

quinta-feira, setembro 30, 2010
Reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam
sexta-feira, junho 18, 2010
José Saramago não morre...

Fará parte da nossa história, com as suas histórias, da herança de ser português, de falar e escrever em português, de usar a palavra como arma, a poesia como reflexão, o sonho como resposta, …

quarta-feira, maio 26, 2010
Utopia
sexta-feira, abril 30, 2010
Gostos....
daquela luz branca, pura, inexplicável,
Gosto de sentir a temperatura do nascer do dia, revigorante,
Gosto de sentir a temperatura do prenúncio da noite,
sexta-feira, março 05, 2010
quarta-feira, janeiro 13, 2010
sábado, novembro 28, 2009
Dezembro à porta....
Por todo o lado, luzes, montras cheias, purpurinas e flocos a imitar neve. Nos shoppings um rodopio anunciando o Natal.
Já gostei mais do Natal, daqueles encontros cheios de primalhada com a família toda a fazer barulho e a trocar embrulhos, com a fartura de comida, dos doces aos salgados... Agora quase me apetecia saltar esta data do calendário, talvez pela pressão social que se colou ao Natal, pela "obrigação" de juntar a família e especialmente pelo consumismo desenfreado.
Celebraremos mesmo o nascimento de Jesus?????....
Só gosto do Natal porque os olhos da minha filha brilham mais que as luzes dos shoppings quando sonha com os presentes, dizia-me no outro dia "Gosto tanto desta época do ano!"...
Gosto do Natal porque o mano não lhe dá pontapés marotos só para receber as prendas do Pai Natal!
Especialmente por eles, hoje de manhã, enchi a casa com o pinheiro artificial e um monte de bugigangas coloridas e luzes a piscar…. Claro que o mais novinho também ajudou a colocar, com as suas mãos pequeninas, as fitas na árvore de Natal, as bolas vermelhas e prateadas… E depois brincou com as figuras do presépio, talvez inventando-lhes outras histórias!
sábado, novembro 14, 2009
Para o Avô João...

sábado, outubro 10, 2009
sexta-feira, setembro 25, 2009
segunda-feira, setembro 21, 2009
Um rio? Será o rio Tâmega?
Perante estas duas fotos, todas as palavras seriam portadoras de um sentimento de desânimo, de revolta, contra quem não presta a devida atenção à natureza.
segunda-feira, setembro 14, 2009
O ensino
Alice Miel
sábado, setembro 12, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
sexta-feira, setembro 04, 2009
Flores de Amendoeira

Algumas nuvens, muito brancas, lembravam-me o seu branco cabelo…
Parecia-me ver as nuvens agrupando-se em rendilhados finos, com flores, nós pequeninos.
Uma lágrima escorria-me no rosto sério, sereno, e todo o céu ficou reflectido naquela gotinha de tristeza. Então, vi que eram as suas mãos que faziam renda em flocos de nuvens, fios de luz.
Senti-me envolvida por um abraço azul, imenso, quase ouvi um sussurro:
“Estou bem, Ménita… Estou bem….”
Vou recordar-te com o carinho que nos tinhas e que transformava, com as tuas mãos, os figos e as amêndoas em flores doces… Com as mãos, que também preparavam carapaus alimados ou faziam renda com um pormenor dedicado, perfeito.
Vou recordar também essa teimosia que te caracterizava, as piadas marotas, a força que o teu corpo grande mostrava, a força que tinhas.
Vou recordar-te sempre , queria Avó Ema. E quando olhar as nuvens vou ver flores de amendoeira bordadas no céu, brancas como os teus ondulados cabelos.
domingo, agosto 23, 2009
Coisas de Mãe....

Outro dia, ao entardecer, ao passar numa rua quase deserta, vi uma senhora, velhota, muito pequenina (para aí metade do meu tamanho!?), muitas rugas na cara franzida, muito branco o cabelo curto, o corpito redondo vestido de negro, a andar para cá e para lá (espreitando um terreno e um portão) como se procurasse alguém…. Sensibilizou a figura frágil e irrequieta pelo que lhe perguntei o que procurava…
Então, ela olhou-me com os seu olhitos muito azuis e aguados e disse-me numa voz trémula, melodiosa e muito baixinha: “Sim, procuro o meu filho. Importa-se de espreitar para ver se ele está ali ao fundo?”
Muito para lá do portão, quase perto do horizonte, havia uma casa e espreitei, não vendo ninguém. Ela, aflita, disse-me “Estou preocupada, já chamei e ele não responde. Eu trouxe-lhe o jantar porque é hora dele comer!”…
Pareceu-me tão estranha a situação que ainda pensei se a senhora não estaria a inventar um “filho” e sugeri:
"Vá para casa descansar, que ele aparece".
E ela, enervada: “Não, querida, ele já devia ter comido”
"Que idade terá o filho?" – passava-me pela cabeça… Entretanto, lá apareceu ao fundo, perto da casa, um matulão ( que devia ter, mais que eu, a metade de tamanho que faltava à mãe para ser da minha altura), encorpado, que caminhava na nossa direcção…
Resolvi ir embora, visto que o problema se resolvia… Ainda ouvi a senhora para o filho naquela voz ternurenta, mimosa, trémula : “Então não respondias, estava tão preocupada. Qualquer dia dá-me uma coisa. Trouxe-te água, arroz, pão….” E o resto já não ouvi.
Coisas de mãe, sem dúvida. Aquele matulão é que já tinha corpinho para cuidar da mãe, coitadinha… Enfim, é a natureza da mulher-mãe que não a deixa tirar os olhos dos seus rebentos, mesmo que já voem, muito além de onde a vista pode alcançar!
quarta-feira, agosto 12, 2009
Deambular
Evening On Canal Str...Diane Millsap
sábado, agosto 01, 2009
Carta de Fernando Nobre
(...) quero deixar aqui algumas reflexões sobre o que vi durante a minha última estadia no Bangladesh, que terminou há dias. Nos últimos dez anos, foi a terceira vez que fui ao Bangladesh, cuja capital Dhaka (floresta) foi fundada por padres portugueses no sec. XVII e onde ainda hoje continuam a morrer habitantes, de uma minoria católica, com apelidos portugueses: Albergaria, Soares, Costa…
O objectivo desta viagem foi o de contactar uma ONG local em Jessore, uns 280Km para sul de Dhaka, para financiarmos projectos que aprovei, nas áreas da saúde e educação, e tomar contacto com a realidade das tragédias repetitivas que ocorrem no delta do Ganges.
Os bengalis do Bangladesh são o mesmo povo que habita o estado indiano do West Bengal, que tem como capital Calcutá, onde já estive muitas vezes. Com a densidade populacional que tem (é como se Portugal tivesse 100 milhões de habitantes), qualquer tragédia climática, como tem acontecido em crescendo nas últimas duas décadas no delta do Ganges (maioritariamente situado no Bangladesh), afecta centenas de milhares ou milhões de pessoas nesse país. Até há duas ou três décadas havia, em média, um ciclone que fustigava o Golfo de Bengal com efeitos temíveis no delta do Ganges, todos os 7 a 10 anos.
Desde 1991 (ano em que um ciclone matou nesse delta mais de 200 000 pessoas) que os ciclones, como os furacões no Golfo do México, mercê das gravíssimas e aceleradas alterações climáticas em curso, fustigam o Golfo de Bengala, 2 a 3 vezes por ano. O último foi em Maio do corrente ano e foi isso que me levou aos dois distritos de delta (Satkhira e Khulna). Foram dias intensos de carro, estradas perigosíssimas com autocarros bailarinos lançados que nem mísseis, de travessias de jangadas, de barcos, de canoas…
O delta continua gravemente submerso, afectando profundamente a vida de muitas dezenas de milhares de pessoas que vivem em situações de insalubridade e de precariedade inimagináveis, amontoados em tugúrios, frágeis e instáveis, ao longo dos caminhos-estradas, os pontos mais altos que circundam os campos, hoje imensos lagos ou mares… As latrinas, múltiplas, à beira das águas correm directamente para as mesmas, salobras e extremamente poluídas mas de onde se bebe…
Não espanta que 80% das enfermidades tenham a ver com essa água infecta! Essas populações precisam de tudo embora ainda alguns consigam apanhar uns peixitos, que comem, e alguns camarões para venda. Precisam de água potável, comida, assistência médica, abrigos, saneamento básico (latrinas estanques) embora o espaço para tal seja milimétrico… Como sempre os três elos mais fracos dessa cadeia humana, toda flagelada, são as crianças, as mulheres, os idosos… seres humanos como nós!... caso alguém tenha esquecido, ou finja não ver, que eles são seres humanos como nós…
Perante tudo o que vi, e após conversas com as autoridades locais das comunidades afectadas em Satkhira, decidi que a AMI vai financiar a construção e apetrecho (equipamento, medicamentos, médico e enfermeiro locais) de um hospital rural com 10 camas, no ponto mais alto possível e com estrutura para resistir a cheias e furacões, e a sanitação (clorificação da água e latrinas). É pouco, mas é o que podemos fazer. Para os pseudo-cientistas, sem ética nem coluna vertebral, que insistem em dizer e escrever que as alterações climáticas são um mito proponho-lhes, se tiverem coragem, uma viagem ao delta do Ganges no Bangladesh.
O futuro será bem pior: degelo progressivo também dos Himalaias (origem do Ganges, Rio Amarelo…) e subida do nível das águas dos oceanos… Ainda mais dramático: centenas de milhões de pessoas serão afectadas ou mortas, em regiões e países densamente povoados e financeira e tecnologicamente frágeis, que não podem já construir os diques, como os meus familiares holandeses…
Desculpem-me: vou continuar a gritar!
Até breve!






