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terça-feira, abril 20, 2010

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
[braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'

3 comentários:

Andy disse...

faz-me todo o sentido, é lindo o poema!
Bjinho

didium disse...

Andy,
Também a mim me faz todo o sentido. Beijinho para ti.

solange disse...

Divino e verdadeiro!!!
O que tu descobres, Maria Eduarda :)).
Beijocas