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terça-feira, março 16, 2010

Se eu morrer de manhã

Fotografia retirada daqui

"Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.

Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.

Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
- o único que sei.

Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.

Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.

Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei."

Rosa Lobato de Faria

2 comentários:

Em@ disse...

Gostei que tivesses posto aqui a Rosa Lobato Faria porque acho que ela não foi suficientemente valorizada em vida. Não ocnheci poema dela. Posso levá-lo comigo?
Beijinho de chicoronha.

Como estás?

didium disse...

Podes levar o que quiseres. Estou a equilibrar-me... tem sido um pouco difícil... E para lá vou eu agora.
Beijinho de chicoronha.