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terça-feira, junho 29, 2010

EXÍLIO

Porque fechamos os olhos aos muitos caminhos da vida,
Deixamos para trás as possibilidades do futuro,
Desdenhamos as surpresas do outro lado de cada muro
Que nos esperaria a cada curva da estrada tão comprida.

São pétalas de uma flor que nunca plantaremos,
São gotas de água de um copo que partimos sem ver,
São cores de um arco-íris que nunca há-de nascer
Por acharmos que aquele não é o horizonte que queremos.

E agora, que me vejo onde estou, sentada ao sol,
Eternamente ansiando pelo canto do frágil rouxinol,
Eternamente à espera da estrada perfeita e sem buracos,

Vejo naquelas escolhas que não fiz quando devia
O meu pranto, a minha dor, a cama de agonia
Deste exílio voluntário dos pobres e dos fracos.

Sofia Pedro

4 comentários:

solange disse...

Como me emocionas, Sofia!
Imagina-me, c esta idade, c tantas coisas q ficaram por fazer, tantas opções. "Ou isto ou aquilo", sem certezas, a arriscar ou a ter medo d arriscar. A vida "chega a doer"!!!

dinamene disse...

Belíssimo, arrepiante poema... Fazemos escolhas na vida, muitas por impulsos, outras pensadas e repensadas, assim trilhamos o nosso caminho... Perfeito ou imperfeito, que nos pertence, a nossa história que nos faz sermos quem somos, chegarmos ou não chegarmos. Não me arrependo de nada do que fui/escolhi, mas se me fosse dada esta vida de novo escolhia novos rumos, porque aprendi, hoje já não sou quem fui ontem... Belo, não?

didium disse...

Sofia,
É sempre uma aprendizagem, esta nossa passagem por cá.
Dúvidas, tê-las-emos até ao final, acredita. Acredita também que em tudo, devemos dar todo o nosso afecto, e sorrir sempre. Há tanta gente que precisa de receber um sorriso, e às vezes é o suficiente para seguir em frente.
Arrisquei muitas vezes, outras arrependi-me de o ter feito, mas tentei retirar algo de positivo. Não tenciono acabar o meu caminho com arrependimentos!

Bjs.

Sofia disse...

Olá, minhas lindas. Um grande beijinho para todas. Devo dizer que foi ao escrever este poema, há algum tempo atrás, que comecei a pensar bem no rumo da minha vida. Uma pessoa vai crescendo e percebendo que quando queremos alcançar um objectivo - a felicidade - há muitos caminhos que nos podem levar lá, só é preciso não ter medo e não fechar os olhos aos inúmeros trilhos que encontramos pela frente. Devo dizer que é mais fácil de dizer do que de fazer, mas este ano tomei a resolução de caminhar por outra via. E nem vos sei dizer o que medo que senti e ainda sinto. Mas há tantas possibilidades abertas no futuro que quero pensar no aqui e agora e aproveitar o que tenho e dar graças por isso.
Um abraço muito forte a todas vós e obrigada pelas vossas lindas palavras, Solange, Dinamene, Didium!