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terça-feira, dezembro 08, 2009

Quando vem a noite

Só quando vem a noite, de algum modo sinto, não uma alegria, mas um repouso que, por outros repousos serem contentes, se sente contente por analogia dos sentidos. Então o sono passa, a confusão do lusco-fusco mental, que esse sono dera, esbate-se, esclarece-se quase se ilumina. Vem, um momento, a esperança de outras coisas. Mas essa esperança é breve. O que sobrevém é um tédio, sem sono nem esperança, o mau despertar de quem não chegou a dormir. E da janela do meu quarto fito, pobre alma cansada de corpo, muitas estrelas; muitas estrelas, nada, o nada, mas muitas estrelas...


9-6-1934
Fernando Pessoa in "Obra Poética e em Prosa", volume II

7 comentários:

Anabela Magalhães disse...

Muito bonito...
Espero que durmas bem com ou sem estrelas...
Beijinhos e xi apertadinho!

Em@ disse...

Já tinha saudades tuas.:)
Que o Fernando Pessoa te ajude a embalar no sono.
Um abração bem tropical.

didium disse...

Obrigada às duas!
Que seja hoje o dia do 1º sono descansado! Bem preciso!

Em@ disse...

Vai ser!
Certezinha,

didium disse...

:(((((

Em@ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Em@ disse...

Apaguei porque tinha escrito disparate...afinal enganei-me foi?
:(((
Dorme agora.
Engordei um beijo para ti.