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quarta-feira, abril 23, 2008

No Dia Mundial do Livro, José Saramago, o nosso NOBEL



Neste dia, não podemos deixar de homenagear o nosso prémio Nobel, o português internacional, José Saramago.
Ainda não era premiado e já eu devorava os seus livros. O primeiro que li e que me fascinou foi, sem dúvida, o ” Memorial do Convento”, publicado em 1982. Para mim, é um dos melhores livros que li até hoje. No entanto, por ser, talvez, o mais conhecido, prefiro debruçar-me um pouco sobre “A Caverna” e deixar os amores de Baltasar e de Blimunda, tal como a construção do convento de Mafra, para alguém especialista no assunto (Quem será?). José Saramago recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Em 2000, um ano depois do nascimento da minha neta Luna, na passagem do milénio, foi publicado o romance “A Caverna”.
A acção desenvolve-se em torno da família de Cipriano Algós (Cipriano, já viúvo, a filha e o genro) que, vivendo, até então, do fabrico de bonecos artesanais, dá-se conta das dificuldades resultantes das regras impostas pela nova realidade consumista. São uma família de oleiros que, de um dia para outro, dá-se conta que deixa de ser necessária ao mundo. A sua vida é transformada com a construção/inauguração de um Centro Comercial, um shopping, na cidade.
Nesta obra ressurge o mito de Platão para discutir o capitalismo, numa sociedade em que as pessoas se tornam apenas profissões, isto é, sombras. Somos alertados para o processo acelerado da desumanização de que somos vítimas. A família Algós tenta resistir e sobreviver à ameaça das grandes superfícies, enquanto o Centro Comercial personifica o consumo desenfreado que caracteriza os nossos dias.
Realmente, a indiferença perante o fim do negócio artesanal que é o ganha-pão daquela gente, choca-nos!
Por tudo o que o livro transmite, mas sobretudo pelos sentimentos que estão presentes em cada linha, este é um livro excepcional. A relação entre o pai viúvo e a filha é comovente, do princípio ao fim. Até o envolvimento de toda a família com o cão, mostra-nos a sensibilidade do autor que muitos julgam ser “duro”, azedo, pouco sociável. Também o relacionamento do viúvo com a vizinha é muito engraçado e, através desta família terna e simpática, somos “obrigados” a reflectir sobre esta sociedade que se vai tornando, cada vez mais, tão diferente da dos nossos pais. Melhor? Eu não creio!!! Mas continuo a ter esperança num mundo melhor.
Solange

2 comentários:

didium disse...

Estás de parabéns!Isso é que é trabalhar

didium disse...

Brevemente farei a minha análise do Memorial do Convento e Ensaio sobre a Cegueira. Este último foi adaptado ao cinema. Vamos ver a diferença (livro ou filme?)