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segunda-feira, novembro 30, 2009

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Fernando Pessoa, in "Mensagem"(10-12-1928)

5 comentários:

didium disse...

Este nevoeiro... nos dias de hoje, que vos parece?

Em@ disse...

MIga, por aqui teve sol, mas o nevoeiro está a anhar lugar dentro de nós. Do País (e do mundo), o que me assuta de sobremaneira.

didium disse...

Pois! É o que me parece e assusta.

Em@ disse...

*...ganhar

didium disse...

Pensei eu que "anhar" fosse termo algarvio! Eheheheh!