Provérbio hindu
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segunda-feira, outubro 12, 2009
Um livro
sábado, outubro 10, 2009
quinta-feira, outubro 08, 2009
Prémio Nobel da Literatura 2009
À novelista, ensaísta e poeta alemã de origem romena, Herta Müller foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura de 2009. A Academia sueca salientou o facto de Herta Müller conseguir, “com a densidade da sua poesia e a limpidez da sua prosa, retratar o universo dos deserdados”. Müller é autora de livros como “O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra”, editado em Portugal pela Cotovia, e “A Terra das Ameixas Verdes”, publicado a nível nacional pela Difel. Ambos os livros se encontram esgotados.
Nascida a 17 de Agosto de 1953, na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, na Roménia, estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a Securitate, a polícia política de Nicolae Ceaucescu. Müller acabou por abandonar o seu país em 1987 para ir para a Alemanha com o marido, o também escritor Richard Wagner. Para trás deixou uma longa luta perdida pela publicação dos seus trabalhos frontalmente críticos ao regime totalitário de Ceausescu, que acabaria por ser derrubado dois anos depois. Vive em Berlim desde 1987.
A sua obra dá voz às inquietações das duras condições de vida de minorias durante a ditadura de Ceausescu. No caso de «O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra», a acção centra-se no destino de uma família alemã que espera com ansiedade a autorização para abandonar a Roménia, situação que Herta e seu marido dramaticamente viveram. A corrupção, a perseguição e a intolerância política, são as temáticas mais exploradas por Herta.
Herta Müller, dez anos depois de Günter Grass, é a décima autora alemã a receber o Nobel. Thomas Mann (1875-1955), galardoado em 1929, o autor de «A Montanha Mágica», foi um dos escritores germânicos premiados cuja obra mais perdurou para além da fama efémera do famoso galardão. O prémio atribuído pela Academia Sueca tem actualmente um valor de 980 mil euros e será entregue em Estocolmo no dia 10 de Dezembro.
Nascida a 17 de Agosto de 1953, na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, na Roménia, estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a Securitate, a polícia política de Nicolae Ceaucescu. Müller acabou por abandonar o seu país em 1987 para ir para a Alemanha com o marido, o também escritor Richard Wagner. Para trás deixou uma longa luta perdida pela publicação dos seus trabalhos frontalmente críticos ao regime totalitário de Ceausescu, que acabaria por ser derrubado dois anos depois. Vive em Berlim desde 1987.
A sua obra dá voz às inquietações das duras condições de vida de minorias durante a ditadura de Ceausescu. No caso de «O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra», a acção centra-se no destino de uma família alemã que espera com ansiedade a autorização para abandonar a Roménia, situação que Herta e seu marido dramaticamente viveram. A corrupção, a perseguição e a intolerância política, são as temáticas mais exploradas por Herta.
Herta Müller, dez anos depois de Günter Grass, é a décima autora alemã a receber o Nobel. Thomas Mann (1875-1955), galardoado em 1929, o autor de «A Montanha Mágica», foi um dos escritores germânicos premiados cuja obra mais perdurou para além da fama efémera do famoso galardão. O prémio atribuído pela Academia Sueca tem actualmente um valor de 980 mil euros e será entregue em Estocolmo no dia 10 de Dezembro.
Reticências
Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma,
como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma,
como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
quarta-feira, outubro 07, 2009
Desalento
Um sonho!Parecia real,
repleto de afectos,
de vontades,
indomáveis,
intermináveis...
Esse sonho
abriu uma fissura
e espreitou a vida,
tal qual ela é.
Não soube onde pousar,
se na vida tal e qual,
se na memória real.
Há-de encontrar assento,
longe do lamento,
num lugar de destaque,
para que prossiga,
talvez, um dia,
num qualquer momento!
maria eduarda
segunda-feira, outubro 05, 2009
Dia Mundial do Professor



Da M., do J., e da C.,. Já estão na Universidade. Como me comovi no dia em que me entregaram este envelope, carregado de carinho! E atrás vinha a M., com um grande ramo de flores. Mais tarde recebi sms dos três, poque acharam que ser professor não é só alargar os horizontes dos alunos, é deixá-los também enriquecer o nosso, e partilhar !É tão fácil gostar desta profissão, quando se ganham alunos e amigos únicos.
Obrigada M., J. e C.
maria eduarda
Sorrir assim...
Sorrir assim, é sentir a infância liberta de perigo, resguardada no colo, sossegada nas mãos que amparam a criança.Sorrir assim, é a inocência de não pensar, de tomar como certo o momento precioso da ternura contagiante.
Sorrir assim, é saber que, com toda a certeza, as mães são eternas nas marcas profundas que deixam, resultantes do amor que investem, porque amam incondicionalmente.
sexta-feira, outubro 02, 2009

Reflexão: Experiência ?
Já fiz cócegas no meu sobrinho, só para ele parar de chorar.
Já me queimei, brincando com o lume.
Já fiz balões com pastilha e fiquei com o rosto todo colado.
Já conversei com o espelho e até já me mascarei de Homem Biombo!
Já quis ser astronauta, violinista, mágico, caçador e trapezista...
Já me escondi atrás da cortina, mas esqueci-me dos pés de fora.
Já passei secas ao telefone.
Já tomei banho de chuva e adorei.
Já roubei beijos.
Já confundi sentimentos.
Já percorri atalhos errados e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz doce.
Já fui pai.
Já me cortei, fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido ao telhado para contar estrelas.
Já subi árvores para roubar fruta.
Já caí da escada.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei às escondidas no cinema.
Detalhes Adicionais
Já fugi de casa para sempre, mas voltei no outro instante.
Já corri para não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi o pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me atirei à piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e, mesmo assim, não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro.
Já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de me levantar.
Já apostei que correria descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva de madrugada e vi a Lua transformar-se em Sol.
Já fiquei triste por ver amigos partir, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú chamado coração. E agora uma pergunta me interroga, encosto-me na cama e oiço gritar: 'Qual é a tua experiência?' Essa pergunta ecoa no meu cérebro: “Experiência”... “Experiência...”
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não, talvez o mundo ainda não saiba colher sonhos! Gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
“Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?”
Já fiz cócegas no meu sobrinho, só para ele parar de chorar.
Já me queimei, brincando com o lume.
Já fiz balões com pastilha e fiquei com o rosto todo colado.
Já conversei com o espelho e até já me mascarei de Homem Biombo!
Já quis ser astronauta, violinista, mágico, caçador e trapezista...
Já me escondi atrás da cortina, mas esqueci-me dos pés de fora.
Já passei secas ao telefone.
Já tomei banho de chuva e adorei.
Já roubei beijos.
Já confundi sentimentos.
Já percorri atalhos errados e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz doce.
Já fui pai.
Já me cortei, fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido ao telhado para contar estrelas.
Já subi árvores para roubar fruta.
Já caí da escada.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei às escondidas no cinema.
Detalhes Adicionais
Já fugi de casa para sempre, mas voltei no outro instante.
Já corri para não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi o pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me atirei à piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e, mesmo assim, não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro.
Já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de me levantar.
Já apostei que correria descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva de madrugada e vi a Lua transformar-se em Sol.
Já fiquei triste por ver amigos partir, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú chamado coração. E agora uma pergunta me interroga, encosto-me na cama e oiço gritar: 'Qual é a tua experiência?' Essa pergunta ecoa no meu cérebro: “Experiência”... “Experiência...”
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não, talvez o mundo ainda não saiba colher sonhos! Gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
“Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?”
Pudimcaseiro
Professores
Que bom se todos os professores fossem perfeitos… O ideal seria até uma pessoa inteligente, interessante e engraçada, com grande capacidade para explicar a matéria, justa a dar notas, que só fizesse testes fáceis e, claro, que ao mesmo tempo admirasse e aprovasse tudo o que fizesses. Belo sonho…Podes até acabar por ter um professor que se aproxime muito da pessoa que gostarias que te desse aulas, no entanto, a maior parte das vezes, quem está sentado à secretária não tem só qualidades. E o mesmo acontece contigo.
Um professor pode ser capaz de descrever uma batalha histórica com tanto pormenor que te parecerá estares a presenciá-la; mas, quando chega ao teste, as suas perguntas mais se assemelham a uma emboscada… Pode também acontecer o professor ser capaz de te meter com toda a facilidade na cabeça conceitos matemáticos mais complicados, mas depois te tire 1% no teste só porque fizeste um errozinho de nada. (…)
O teu objectivo é resolveres da melhor forma possível tudo o que te apareça pela frente. Isso implica admitires que talvez estejas a contribuir para algumas das dificuldades criadas e alterares o teu comportamento de forma a evitares problemas futuros.
O ingrediente mais importante de todos é o respeito. É importante não esqueceres que, para respeitares uma pessoa, não é preciso gostares dela. Do mesmo modo, para que te respeitem, não é preciso que gostem de ti.
Tens o dever de respeitar os professores e de aprender.
Meg F. Schneider, “Socorro, o Meu Professor Odeia-me”
quarta-feira, setembro 30, 2009
(In)conclusivo
terça-feira, setembro 29, 2009
Eficácia
http://olhares.aeiou.pt/under_the_sun_foto3067276.htmlSublime intenção,
abarcar todo o céu
na vida, em dimensão!
E à noite, abraçar a lua,
e direccionar a sua luz
no patamar de todos os dias.
Sublime redenção,
à imensidão da vontade,
à luz reflectida no querer!
É suficiente olhar,
e fazer das horas,
a força que impele o ser
ao virar do dia e da noite,
no sonho que é viver!
maria eduarda
segunda-feira, setembro 28, 2009
O GATO
Com um lindo saltoLeve e seguro
O gato passa
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné
Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga
Vinicius de MORAES
Vinicius de MORAES
sábado, setembro 26, 2009
ANÁLISE

Blue Fog and Jetty
Jonathan Andrew
Jonathan Andrew
Tão abstracta é a ideia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a ideia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Do sonho e pouco da vida.
Fernando Pessoa 12-1911
sexta-feira, setembro 25, 2009
quarta-feira, setembro 23, 2009
A saudade
A saudade é uma linha no pensamento, que enche uma página pautada, de lembranças.E a saudade alimenta-se da recordação do gesto dirigido, da palavra proferida, de episódios vividos, de pessoas na passagem.
Às vezes a saudade aquieta-se e sossega; outras vezes impõe-se na pacatez , e destrói a quietude do momento. Depois, apaziguamo-la, e ela adormece, porque lhe demos o nosso tempo, na vertigem do momento, que já foi.
maria eduarda
POBRES DOS NOSSOS RICOS
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)
MIA COUTO
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)
MIA COUTO
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