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domingo, novembro 30, 2008

Urgentemente

É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente permanecer.

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"

Inverno

Aprecia a natureza,
agora, fria e nua,
em toda a sua destreza,
para voltar a ser tua.

Repara na multiplicidade,
agora, paisagem diferente.
Apesar de haver unidade,
o que varia é a mente.

A alegria vem de dentro,
do modo como avalias,
do que situas no centro,
da tua atenção, mais-valias.

O Inverno não é tristeza,
é mudança, é diferença.
E tu, coloca a firmeza,
e transforma-a em crença.

Aprecia esta beleza,
também ela passageira.
Outra virá, com certeza,
também ela mensageira.

maria eduarda

sexta-feira, novembro 28, 2008

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

Alinhar a visão que se tem do dia, como estando numa varanda acima dele ou pela temperatura que se imagina estar, se se emudece nos olhos de alguém capaz de nos estorvar o que se nos hospeda nos pensamentos como um rochoso frio ou torcido medo de algo que ainda se não avista ou simplesmente, como fundo aborrecimento pela ficção que somos numa das ossadas do Universo.
Deve ser por causa dos arranjos que se sonham aplicar ao dia, que é sempre um de cada vez e que uma pessoa como quem vai à rua a pensar tratar daquilo que é o que a mantém em pé, se apaixona.
JL: “A Viagem do Elefante” é uma alegoria, amargamente irónica, da existência humana?
José Saramago: Sim. Todos nós damos vontade de rir. Somos uns pobres diabos. Usando um termo grosseiro: muita cagança, muita cagança e para quê? Somos pequeníssimos. Não é que uma pessoa tenha de aceitar a sua pequenez, mas parece-me bastante triste a vaidade, a presunção, o orgulho, tudo isso com que pretendemos ou queremos mostrar que somos mais do que efectivamente somos. Não será caricato ou ridículo, mas bastante triste.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Por desatar!

A vida é mesmo assim,
cheia de nós apertados,
alguns, feitos por mim,
outros, por mim encontrados.

Quero desatá-los, totalmente,
às vezes, sem resultado,
porque outros nós, em mente,
surgem, vindos do passado.

Esses, não consigo apartar,
recordo o então já vivido,
dois vazios a retratar,
guardados, no tempo já ido.

Agora, vou prosseguir,
outros nós hão-de surgir.
Preciso de em paz estar,
para poder reagir!

maria eduarda

Limites da tolerância

Tudo tem limites, também a tolerância, pois nem tudo vale neste mundo. Os profetas de ontem e de hoje sacrificaram suas vidas porque ergueram sua voz e tiveram a coragem de dizer:"não te é permitido fazer o que fazes". Há situações em que a tolerância significa cumplicidade com o crime, omissão culposa, insensibilidade ética ou comodismo.
Não devemos ter tolerância com aqueles que têm poder de erradicar a vida humana do Planeta e de destruir grande parte da biosfera. Há que submetê-los a controles severos.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que assassinam inocentes, abusam sexualmente de crianças, traficam órgãos humanos. Cabe aplicar-lhes duramente as leis.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que escravizam menores para produzir mais barato e lucrar no mercado mundial. Aplicar contra eles a legislação mundial.
Não devemos ser tolerantes com terroristas que em nome de sua religião ou projeto político cometem crimes e matanças. Prendê-los e levá-los às barras dos tribunais.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que falsificam remédios que levam pessoas à morte ou instauram políticas de corrupção que delapidam os bens públicos. Contra estes devemos ser especialmente duros, pois ferem o bem comum.
Não devemos ser tolerantes com as máfias das armas, das drogas e da prostituição que incluem sequestros, torturas e eliminação física de pessoas. Há punições claras.
Não devemos ser tolerantes com práticas que, em nome da cultura, cortam as mãos dos ladrões e submetem mulheres a mutilações genitais. Contra isso valem os direitos humanos.
Nestes níveis não há que ser tolerantes, mas decididamente firmes, rigorosos e severos. Isso é virtude da justiça e não vício da intolerância. Se não formos assim, não teremos princípios e seremos cúmplices com o mal.
A tolerância sem limites liquida com a tolerância, assim como a liberdade sem limites conduz à tirania do mais forte. Tanto a liberdade quanto a tolerância precisam, portanto, da protecção da lei. Senão, assistiremos à ditadura de uma única visão de mundo que nega todas as outras. O resultado é raiva e vontade de vingança, fermento do terrorismo.
Onde estão então os limites da tolerância? No sofrimento, nos direitos humanos e nos direitos da natureza. Lá onde pessoas são desumanizadas, aí termina a tolerância. Ninguém tem o direito de impôr sofrimento injusto ao outro.
Os direitos ganharam sua expressão na Carta dos Direitos Humanos da ONU, assinada por todos os países. Todas as tradições devem confrontar-se com aqueles preceitos. Se práticas implicarem violação daqueles enunciados não podem justificar-se. A Carta da Terra zela pelos direitos da natureza. Quem os violar perde legitimidade. Por fim, é possível ser tolerantes com os intolerantes? A história comprovou que combater a intolerância com outra intolerância leva à aspiral da intolerância. A atitude pragmática busca estabelecer limites. Se a intolerância implicar crime e prejuizo manifesto a outros, vale o rigor da lei e a intolerância deve ser enquadrada. Fora deste constrangimento legal, vale a liberdade. Deve-se confrontar o intolerante com a realidade que todos compartem como espaço vital. Deve-se levá-lo ao diálogo incansável e fazê-lo perceber as contradições de sua posição. O melhor caminho é a democracia sem fim que se propõe incluir a todos e a respeitar um pacto social comum.
Leonardo Boff

Todo o Mal Provém não da Privação mas do Supérfluo

Ser feliz é, afinal, não esperar muito da felicidade, ser feliz é ser simples, desambicioso, é saber dosear as aspirações até àquela medida que põe o que se deseja ao nosso alcance. Pegando de novo em Tolstoi, que vem sendo em mim um padrão tutelar, lembremos de novo um dos seus heróis, o príncipe Pedro Bezoukhov (do romance 'Guerra e Paz'). As circunstâncias fizeram-no conviver no cativeiro com um símbolo da sabedoria popular, um tal Karataiev. Pois esse companheirismo desinteressado e genuíno, esse encontro com a vida crua mas desmistificadora, não só modificaram o príncipe Pedro como lhe revelaram o que ele precisava de saber para atingir o que nós, pobres humanos, debalde perseguimos: a coerência, a pacificação interior, que são correctivos da desventura.
Tolstoi salienta-nos que Pedro, após essa vivência, apreendera, não pela razão mas por todo o seu ser, que o homem nasceu para a felicidade e que todo o mal provém não da privação mas do supérfluo, e que, enfim, não há grandeza onde não haja verdade e desapego pelo efémero. Isto, aliás, nos é repetido por outra figura de Tolstoi, a princesa Maria, ao acautelar-nos com esta síntese desoladora: «Todos lutam, sofrem e se angustiam, todos corrompem a alma para atingir bens fugazes».
Fernando Namora, in 'Sentados na Relva'

terça-feira, novembro 25, 2008

Acreditar

Ver-se ao espelho amiúde,
olhar nos olhos, os sonhos.
Tentar que o gesto não mude,
manter os lábios risonhos.

Fixar no reflexo, a imagem,
de alguém que se desdobra,
numa outra personagem,
cuja coragem recobra.

Avançar nesta conquista,
acreditar em cada passo,
no troféu bem realista,
alcançado sem fracasso.

maria eduarda

5º Pergunta

Quase arriscaria dizer que há homens que são mais orgulhosos do que outros porque engoliram certos versos, se isso existe- e acredito que sim, senhor Breton-é porque os versos quando digeridos, se decompõem em fragmentos que esquecemos, mas também numa energia que nos torna bípedes mais lúcidos. Como se a nossa cabeça estivesse mais perto de tocar o sol.
Será isso senhor Breton?
in: GonçaloM.Tavares, O senhor Breton e a entrevista, Caminho,2008

E que mais necessitam as nossas crianças, adolescentes e famílias?

" ....Cidades, bairros e habitações de escala mais humanas, em que a relação com a natureza seja uma constante e não uma raridade ou uma mera questão de luxo. A actual (des)organização ambiental constitui um sério ataque à saúde mental das populações e tem tudo a favor para produzir um impacto grave no bem-estar dos mais novos e suas famílias."
Pedro Strecht in Jornal Público, 2005

segunda-feira, novembro 24, 2008

"Mr. PIP"

«Era quase madrugada quando ouvimos os helicópteros dos peles-vermelhas passarem sobre a aldeia e depois regressarem. Pairaram sobre nós como libélulas gigantes, inspeccionando a clareira. Viram uma fila de casas abandonadas e uma praia vazia, pois nós fugíramos. Toda a gente. [...] O bloqueio fora imposto na primeira metade de 1990. Julgámos que seria apenas uma questão de tempo até que o mundo exterior viesse ajudar-nos.» Sem surpresa, o mundo exterior tinha mais em que pensar. Um dia, já na Austrália, Matilda descobre que Mr. Watts lhes lera (a ela e às outras crianças) uma versão simplificada daquilo que considerava «um som novo no mundo». A seu modo, as palavras de Dickens tinham instaurado uma ordem nova no tumulto de Bougainville. Agora, na biblioteca da escola de Townsville, exemplar na mão, «sublinhando cada palavra de cada frase com a ponta do dedo», Matilda percebera. Percebera que Mr. Watts lera «uma versão diferente, uma versão mais simples. Pegara nas partes mais importantes de Grandes Esperanças e simplificara as frases, chegara a improvisar, para nos ajudar a chegar a um lugar mais definido nas nossas mentes. Mr. Watts reescrevera a obra-prima de Mr. Dickens.» A partir dali seria com ela, teria de ser Matilda a descobrir o porquê das omissões de Mr. Watts. A desenvoltura narrativa permite-lhe manter o fôlego discursivo num plano estritamente ficcional, jogando com as várias peripécias da realidade (o conflito armado desencadeado pelo controlo das minas de cobre da ilha) e as expectativas de ascensão social de Matilda, que no fim da história decide partir para Inglaterra.

domingo, novembro 23, 2008

Aceitação

Acordaste,
olhaste à tua volta,
e só te alcançaste a ti.
Estás só!
Não tenhas medo!
O teu mundo continua a sê-lo,
se bem que mais pequeno,
limitado,
mas é o teu mundo!
Coloca-o dentro de ti,
tira-o do frio do Inverno,
aconchega-o, aquece-o.
Quando sossegares,
parte a parede e solta-o,
deixa-o apoderar-se do tempo,
revigorar-se.
Então, inclui-te nele,
enfeita-o com vontades,
pinta-o de quereres.
Depois, abre a porta,
deixa entrar quem vem.
Serve-lhes tolerância e um sorriso,
Então, sossega!
Não tenhas medo!

maria eduarda

sexta-feira, novembro 21, 2008

Da existência de Deus

Os argumentos relativos ao problema da existência de Deus têm sido viciados, quando positivos, pela circunstância de frequentemente se querer demonstrar, não a simples existência de Deus, senão a existência de determinado Deus, isto é, dum Deus com determinados atributos. Demonstrar que o universo é efeito de uma causa é uma coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente é outra coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente e infinita é outra coisa ainda; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente, infinita e benévola outra coisa mais.
Importa, pois, ao discutirmos o problema da existência de Deus, nos esclareçamos primeiro a nós mesmos sobre, primeiro, o que entendemos por Deus; segundo, até onde é possível uma demonstração.
O conceito de Deus, reduzido à sua abstração definidora, é o conceito de um criador inteligente do mundo. O ser interior ou exterior a esse mundo, o ser infinitamente inteligente ou não — são conceitos atributários. Com maior força o são os conceitos de bondade, e outros assim, que, como já notamos têm andado misturados com os fundamentais na discussão deste problema. Demonstrar a existência de Deus é, pois, demonstrar, (1) que o universo aparente tem uma causa que não está nesse universo aparente como aparente (2) que essa causa é inteligente, isto é, conscientemente activa. Nada mais está substancialmente incluído na demonstração da existência de Deus, propriamente dita.
Reduzido assim o conteúdo do problema às suas proporções racionais, resta saber se existe no raciocínio humano o poder de chegar até ali, e, chegando até ali, de ir mais além, ainda que esse além não seja já parte do problema em si, tal como o devemos pôr.
Fernando Pessoa, in 'Ideias Filosóficas'

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

Exercício com o Outro
Vemo-lo.
Agradece o súbito contexto como o faria a uma apaixonada pressa, insurgida numa profunda região visceral sua, não avistável senão em impressões próprias, talvez ditáveis ainda assim a um coração atento.
Nessa ronda de imperceptível sucesso, essa aproximação é decerto experimentada como sendo mais verdadeira que uma outra qualquer que possa sofrer a repetição em demonstrações científicas.
O que é perfeito é azarado em essência, pode-se ler-lhe nos movimentos rápidos, que param imperfeitamente nos nossos, pelo rubor que entretanto se lhe assoma aos dois lados da face, na nossa filosófica incursão a si.

Que pensamentos podem dançar na mente de um homem, enquanto em passos de quem existe equilibra habilmente diferentes pesos e formas no que é uma bandeja, até que chegue inteiro junto à mesa onde principalmente o esperam olhos que em misturas o aguardam, como a um comboio que traz em si aquilo que esses olhos esperam encontrar na saudade conseguida das distâncias ou dos pensamentos ?

quinta-feira, novembro 20, 2008

Renegação


E a alma partiu,
rápida, ligeira,
em direcção certeira.
Mas, reflectiu,
impeliu-a outro sabor,
e regressou
ao refúgio,
à reentrada
no corpo acolhedor!

maria eduarda

Analogias III

Letras desenhadas, palavras,
fonemas calados no papel.
Campo imenso que lavras,
semente depositada em tropel.
Refúgio do dizer, do perceber,
terra ávida em receber.

Resultado em texto afável,
escrito com entrega e agrado,
labuta de ideias, reflexões.
O solo, em mudança viável,
labuta da entrega do arado,
conquista do trabalho, exaustões.

Ah! A escrita silabada, harmoniosa!
Ah! A terra cultivada, esplenderosa!

maria eduarda

A Lenda da Flor de Lótus

Certo dia, à margem de um tranquilo lago solitário, a cuja margem se erguiam frondosas árvores com perfumosas flores de mil cores, e coalhadas de ninhos onde aves canoras chilreavam, encontraram-se quatro elementos irmãos: o fogo, o ar, a água e a terra.
- Quanto tempo sem nos vermos em nossa nudez primitiva - disse o fogo cheio de entusiasmo, como é de sua natureza.
É verdade - disse o ar. - É um destino bem curioso o nosso. À custa de tanto nos prestarmos para construir formas e mais formas, tornamo-nos escravos de nossa obra e perdemos nossa liberdade.
- Não te queixes - disse a água -, pois estamos obedecendo à Lei, e é um Divino Prazer servir à Criação. Por outro lado, não perdemos nossa liberdade; tu corres de um lado para outro, à tua vontade; o irmão fogo, entra e sai por toda parte servindo a vida e a morte. Eu faço o mesmo.
- Em todo o caso, sou eu quem deveria me queixar - disse a terra - pois estou sempre imóvel, e mesmo sem minha vontade, dou voltas e mais voltas, sem descansar no mesmo espaço.
- Não entristeçais minha felicidade ao ver-nos - tornou a dizer o fogo - com discussões supérfluas. É melhor festejarmos estes momentos em que nos encontrarmos fora da forma. Regozijemo-nos à sombra destas árvores e à margem deste lago formado pela nossa união.
Todos o aplaudiram e se entregaram ao mais feliz companheirismo. Cada um contou o que havia feito durante sua longa ausência, as maravilhas que tinham construído e destruído. Cada um se orgulhou de se haver prestado para que a Vida se manifestasse através de formas sempre mais belas e mais perfeitas. E mais se regozijaram, pensando na multidão de vezes que se uniram fragmentariamente para o seu trabalho. Em meio de tão grande alegria, existia uma nuvem: o homem. Ah! como ele era ingrato. Haviam-no construído com seus mais perfeitos e puros materiais, e o homem abusava deles, perdendo-os. Tiveram desejo de retirar sua cooperação e privá-lo de realizar suas experiências no plano físico. Porém a nuvem dissipou-se e a alegria voltou a reinar entre os quatro irmãos. Aproximando-se o momento de se separarem, pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a felicidade de seu encontro. Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o homem. Houve muitos projetos que foram abandonados por serem incompletos e insuficientes. Por fim, refletindo-se no lago, os quatro disseram: - E se construíssemos uma planta cujas raízes estivessem no fundo do lago, a haste na água e as folhas e flores fora dela? - A ideia pareceu digna de experiência. Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes. - Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste. - Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta. - Eu porei todo o rneu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores.
Dito e feito. Os quatro irmãos começaram a sua obra. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como rainha.
Quando os quatro elementos se separaram, a Flor de Lótus brilhava no lago em sua beleza imaculada, e servia para o homem como símbolo da pureza e perfeição humana. Consultaram-se os astros, e foi fixada a data de 8 de maio - quando a Terra está sob a influência da Constelação de Taurus, símbolo do Poder Criador - para a comemoração que desde épocas remotas se tem perpetuado através das idades. Foi espalhada esta comemoração por todos os países do Ocidente, e, em 1948, o dia 8 de Maio tornou-se também o "Dia da Paz".

quarta-feira, novembro 19, 2008

"Os homens que tentam fazer algo e falham são infinitamente melhores do que aqueles que tentam fazer nada e conseguem. "
Lloyd Jones

terça-feira, novembro 18, 2008

O que é escrever?

"O que é escrever? No fundo, é estruturar o delírio, e tem graça, porque quando se trata o delírio o que aparece sempre é uma depressão subjacente."
"Um amigo meu, o Daniel Sampaio, talvez o melhor psiquiatra português, costuma dizer que só os psicóticos são criadores. Você fala com um neurótico e são tipos que não são nada, que são chatos, repetitivos. Os psicóticos são espantosos, dizem frases espantosas, estou-me a lembrar de uma que era «aquele homem tem uma voz de sabonete embrulhado em papel furtacores». Isto é uma frase do caraças."
A. Lobo Antunes in Expresso, 7 de Novembro de 1992
"(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado."
A. Lobo Antunes in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano I, nº23, Janeiro de 1982

«Aceite as limitações com naturalidade. Não coloque sobre si um peso superior ao que pode suportar. Seja o número um em ser fiel à sua consciência e em fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ter dignidade e eficiência, mas não para que o mundo se coloque aos seus pés.
Descubra o prazer de penetrar no mundo das outras pessoas e de ser solidário.»
Augusto Cury in "Treinando a emoção para ser feliz"