
A acção principal do romance Memorial do Convento é a construção do Convento de Mafra. D João V promete mandar construir o convento, se a sua esposa engravidar. A História reaparece através da ficção, aliás, os dados históricos entrelaçam-se constantemente com episódios ficcionais.
O narrador coloca-se do lado do trabalhador, que dia e noite edifica o convento: "por via destes e outros tolos orgulhos é que se vai disseminando o ludíbrio geral, com suas formas nacionais e particulares, como esta de afirmar nos compêndios e histórias, Deve-se a construção do Convento de Mafra ao rei D. João V, por um voto que fez se lhe nascesse um filho, vão aqui seiscentos homens que não fizeram filho nenhum à rainha e eles é que pagam o voto, que se lixam, com perdão de anacrónica voz" (p.257).
São também relatados os autos-de-fé praticados pela Inquisição e, a par da acção principal, viajamos para um mundo doce, mágico, que envolve Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, que consegue ver dentro das pessoas. Estas duas personagens são muitas vezes o fio condutor da intriga, conferindo-lhe ternura.
Muito mais haveria a referir mas, tal não vai suceder aqui, porque se trata somente de uma simples abordagem da narrativa.
Boa leitura!