Ler, consola-me na minha reforma; alivia-me o peso de uma ociosidade sufocante e pode sempre livrar-me de companhias que me enfastiam. Acalma as punhaladas da dor quando esta não é lancinante e extrema. Para me distrair de pensamentos sombrios basta-me recorrer aos meus livros.
Montaigne
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sexta-feira, maio 14, 2010
quinta-feira, setembro 04, 2008
Ignorância Sábia
Aconteceu aos verdadeiros sábios o que se verifica com as espigas de trigo, que se erguem orgulhosamente enquanto vazias e, quando se enchem e amadurece o grão, se inclinam e dobram humildemente. Assim esses homens, depois de tudo terem experimentado, sondado e nada haverem encontrado nesse amontoado considerável de coisas tão diversas, renunciaram à sua presunção e reconheceram a sua insignificância. (...)Quando perguntaram ao homem mais sábio que já existiu o que ele sabia, ele respondeu que a única coisa que sabia era que nada sabia. A sua resposta confirma o que se diz, ou seja, que a mais vasta parcela do que sabemos é menor que a mais diminuta parcela do que ignoramos. Em outras palavras, aquilo que pensamos saber é parte — e parte ínfima — da nossa ignorância.
Michel de Montaigne, in 'Ensaios'
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