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sexta-feira, março 26, 2010

O QUASE FIM DO MUNDO


Começa assim:

“Chamo-me Simba Ukolo, sou africano, e sobrevivi ao fim do mundo.”

Li este livro saboreando cada descrição, cada situação, cada palavra. Este escritor é, realmente, um génio. Os dois últimos livros que li foram dele. O último “O planalto e a estepe”, a que já me referi aqui, e este, o penúltimo. Gostei mais deste!!! E gostei tanto do outro!!! Comentei várias vezes que me fazia lembrar, devido ao caos instalado, “O ensaio sobre a cegueira” do J. Saramago. Achei engraçado, ao procurar a capa do livro p colocar aqui, encontrar um comentário, noutro blogue, a dizer exactamente isso. E porque concordo, transcrevo:

«A história, perdoem-me a comparação, é um bocado do género "Ensaio sobre a Cegueira". Uma calamidade que, como todas a calamidades, aparece sem avisar. De repente, quase todos os seres animais desapareceram e o mundo vê-se deserto. Mas não em Calpe. Não numa pequena zona de África onde afinal nem todos desapareceram. Afinal que "coisa" foi esta? Afinal para onde foram todos? Deixámos de ter família?

São as reacções destes seres que Pepetela se propõe mostrar.»

Na contracapa: “E se a vida animal de repente desaparecesse da Terra, excepto num pequeno recanto do mundo e em doses mínimas? Talvez as causas se conheçam depois, mas o que importa é a existência de alguns seres, aturdidos pelo desaparecimento de tantos, e procurando sobreviver. É sobre estes sobreviventes e as suas reacções, desejos, frustrações, mas também pequenas e grandes vitórias que trata este romance. Detalhe importante: o recanto do mundo que escapou à hecatombe situa-se numa desgraçada zona da desgraçada África. O que permitirá questionar as relações contemporâneas no velho Mundo.”

Prende-nos da primeira à última linha. Aconselho vivamente!!! Há de tudo um pouco. As personagens (africanos - sendo um deles sulafricano e uma americana) cativam-nos, as situações são variadas e não há nada que não valha a pena.

quarta-feira, março 03, 2010

“O Planalto e a Estepe”, o último livro do Pepetela. Se n fosse o factor tempo, leríamos, sem parar, da primeira à última linha. E ficamos com vontade de voltar atrás e reler alguns parágrafos!!!
A história começa no Lubango, Sul de Angola, anos 60. Atravessa os tempos até aos nossos dias, passando pela União Soviética, Mongólia, Argélia e Cuba. A infância de Júlio, personagem-narrador, logo no início da história, emocionou-me muito, não só porque me leva a lugares bem familiares, mas também porque, sendo as personagens ainda crianças, tudo as encanta, lhes desperta a curiosidade e a amizade sobrepõe-se a todos os preconceitos.
De palavra em palavra, chegamos a Portugal, à URSS e a uma bela e sofrida história de amor. Amor impossível, porque vivido numa época em que as ideologias estavam acima dos indivíduos e dos seus sentimentos mais puros.
Baseado em factos reais, sem mais palavras, garanto-vos que é um livro que se lê e não se esquece.