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quarta-feira, maio 14, 2008

ANGOLA, MÃE TERRA


ANGOLA MINHA TERRA,
MÃE TERRA!
De ti não sinto o cheiro,
nem calor...
Não vejo as cores com que te vestes,
não provo tuas frutas!...
Mas recordo, Angola,
o cheiro, as cores, os gostos com que me impregnaste desde infância!
Recordo-os como o filho que se aparta
da mãe, ainda menino, e já homem sente
no corpo a sua lembrança terna.
Terra bonita, bonita...
Deixei-te ainda criança porque em ti,
doente, teus filhos morriam!
Ainda oiço essas bombas, como trovões,
destruindo tudo...queimando, rasgando,
ferindo teu ventre...MÃE TERRA!
Agora teus olhos sangram, vendo a
fome, as misérias deixadas pela guerra,
a dor de tantos irmãos sofrendo.
Choro contigo.
Mas também nasce em mim a esperança,
MÃE ANGOLA,
De te voltar a ver, de pisar teu chão,
De então sentir esse cheiro, o calor,
ver tuas cores, falar com tuas gentes... meus irmãos!
E, então, percorrer longas distâncias que,
ante a tua beleza, se tornam curtas.

Dinamene (10/Maio/2003)

terça-feira, maio 13, 2008

ANGOLA

Não nasci do teu ventre
mas amei-te em cada Primavera
com a exuberância de semente...

Não nasci do teu ventre
mas foi em ti que sepultei
as minhas saudades
e sofri na minha carne
as tempestades
o destino e os anseios
da tua gente...

Não nasci do teu ventre
mas bebi o teu sortilégio
em noites de poesia
transparente...

Não nasci do teu ventre
mas foi à tua sombra
que fecundei rebentos novos
e abri os braços
para um destino transcendente...

Angola,
não serás terra do meu berço
mas és terra do meu ventre!

Amélia Veiga

"Amélia Veiga afirmou-se já como dona de um excepcional talento poético que encontra ampla confirmação neste seu novo livro de poemas, alguns dos quais, como outros anteriores, foram presentes ao concurso literário da Câmara Municipal de Sá da Bandeira, no ano passado, merecendo o Prémio Fernando Pessoa.

in "O Século" - 1963