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quinta-feira, maio 12, 2011

Do encontro

Buscamo-nos
lá atrás,
onde ficámos,
livres de opções,
até à partida
rigorosa.
Hoje,
milénios traçados,
voltamos
não à terra,
mas ao ser
que fomos
um dia.

maria eduarda

sábado, maio 07, 2011

Coisas que se pensam quando qualquer outra coisa seria menos inútil

Ver isso que vai acontecer, coincidido com o agora, eis a tontura derradeira.
Não sei se é fantasia de um ser delirante ou algo que ocupando volume vem nesta direcção. Isso vai acontecer! Não sei como, porquê nem quando e se me perguntarem o que é que vai acontecer, também não o ponho em palavras. É esse o sentimento que trago quase como um leve peso e não sei se me tece desde o berço quando já cheirava o mundo ou se é coisa de há pouco, e se foi de agora, buscou correr para o passado com tão grande ensejo, que se tornou parecido ao resfolgar sonoro de duas pontas, se é que a existência as tem. 

sábado, abril 16, 2011

para lá do inteligível...


O sol brilha lá fora.
Bem para lá do oriente eterno onde outros descansam.


Sussurram-te ao ouvido:
- É de noite. Está escuro.


Mas que importa?
Para mim a luz brilha clara e intensamente.

sábado, abril 02, 2011

Solidão aparente

Muitas vezes é bom estarmos sós, apenas com o som do bater do nosso coração,

Sentir a certeza de que enquanto estivermos vivos e nos tivermos, não haverá solidão,
É apenas aparência...

Tudo o que me cerca me faz companhia, todos os risos desconhecidos ou as dores alheias,
Pois na mais recôndita das solidões descubro que eu sou os outros, os outros que são eu...

Dinamene

quinta-feira, março 31, 2011

Para meditar

A solidão é muito bela, mas quando se tem perto de si alguém a quem o dizer.

Gustavo Bécquer

quarta-feira, março 30, 2011

Quem não dava a vida por um amor?


O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ia sobreviver a nós era o amor. O amor. Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mais tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?

Miguel Esteves Cardoso, in Último Volume

segunda-feira, março 28, 2011

Prémio atribuído pela Em@

Obrigada Em@.

terça-feira, março 22, 2011

Da poesia esquecida


Esqueci-me de assinalar o dia 21, como o dia da poesia, de tão embrenhada que estava a sonhar sem rimas, e a divagar ao sabor do contorno das letras, que do papel sibilaram a favor do vento, e eu parti com elas.

maria eduarda

terça-feira, março 08, 2011

A viagem

Abri-te a porta,
e tu levaste-me
a navegar
a favor da maré.
Confusão de sentidos,
em uníssono disparo
no mesmo alvo.
Enclausurada
no teu abrigo
repleto de luz,
percorremos juntos
o caminho,
sem perguntas,
porque as respostas
já as assimilámos
nos nossos sentires.


maria eduarda

segunda-feira, março 07, 2011

o tempo, subitamente solto

Symphony in Red and ...
Laurie Maitland


o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto. era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luís Peixoto

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Viajo

Viajo,
sem bagagem,
só eu.
Entram-me
nos olhos,
imagens,
daqui e dali.
E continuo,
sem paragens.

No cansaço
da travessia,
acordo do sonho,
e daqui e dali,
imagens reais,
palpáveis,
relembram-me o sonho,
no sono.

Sem bagagem,
sem bilhete,
só eu.


maria eduarda

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Da vida


daqui

Ouço os passos da noite

pesados de escuridão,

na letargia do sono.

Imóvel,

sustenho a luz

que me invade

e me liberta

para a vida.



maria eduarda

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Por inteiro


Não sei rir,

sem motivo.

Não sei partir,

estando inteira.

Não sei sofrer,

em metades.

Em tudo o que faço,

em tudo o que sinto,

sou toda,

plena de vontades.



maria eduarda

quarta-feira, janeiro 12, 2011



Lido e lindo. Na "Lei do Amor" , quando o o ódio se instala entre duas pessoas a vida vai incumbir—se de as reencarnar, de as passear pelo tempo e pelo espaço quantas vezes for necessário até que consigam amar—se.


Um romance que refere como transformar o Ódio em Amor....

terça-feira, dezembro 28, 2010

Especialmente para ti

Menino(a),

Já te dei gramática, interpretação, atenção,

Já viajei contigo através de histórias reais, de sonhos,

Já ouvi algumas queixas ou gritei por seres incorrecto,

Já te ensinei a crescer, acreditei em ti, corrigi-te, repeti,

Já recebi sorrisos teus, ingratidões,

Já me fizeste alguém maior por te conhecer…

O professor dá, dá de si, do coração, dá português ou matemática,

Mostra-te um caminho para seres homem/mulher…

Hoje, olhei o frio do outro lado da janela,

Senti a brisa do Natal a chegar com luzes, fitas coloridas, embrulhos,

Pensei na família, nos amigos, nos alunos…

Pensei que queria dar-te algo especial,

Um presente que levasses contigo pela vida fora,

Que não tivesse tamanho nem material,

Folheei o dicionário, distraída, e escolhi para ti a mais bela palavra,

Que tudo tem nela, a vida, a ilusão, o amor, uma canção.

Escolhi a palavra POEMA.

Há poemas com melodias,

Em palavras que rimam

Sem correrias,

E nos ensinam

A magia dos dias,

Nos sussurram vidas e ilusão….

Há poemas com ritmo!

Força,

Música,

Palavras com pressa,

Que gritam,

Ou marcham,

Ou apenas nos mostram,

Que depois da noite, sempre vem o dia!

Há poemas que se sentem,

Como se fossem borboletas a viver no coração,

Como se tirassem do sol um raio de luz

E nos cobrissem de brilho.

Há poemas que denunciam injustiças,

A Fome e a Guerra,

A Dor e a Violência.

Há, porém outros, que vislumbram a Esperança,

E cantam a Paz, o Amor, o Espírito, o Amanhã,

Há poemas que descrevem tão bem,

que nos fazem ver sítios ou gentes que nunca visitámos….

Escolhi, para ti, a palavra POEMA.

POEMA

Toma, é tua, leva-a com cuidado,

Shhhhhhh……………

Pega nela suavemente,

Observa-a,

Ergue-a nas tuas mãos,

Mima-a, afaga-a,

Agarra-a com força…

sábado, dezembro 25, 2010

anotando...

" (...)Vou anotando nas páginas do meu Milagrário Pessoal os factos extraordinários que me sucedem, ou de que sou involuntária testemunha, dia após dia. É um diário de prodígios. Os milagres acontecem a cada segundo. Os melhores costumam ser discretos. Os grandes são secretos.
Folheei o caderno, fui lendo ao acaso:
« Sexta-feira 28 de Agosto de 2009
Esta noite sonhei com um verso de Sophia. Sonhei que o tinha escrito eu. Fiquei tão feliz que continuei a sorrir mesmo depois de acordar. (...) "

Eduardo Agualusa, Milagrário Pessoal

domingo, dezembro 19, 2010

Do brilho


À espera do brilho

no olhar,

enquanto os olhos

revelam mil cansaços

do percurso

na escuridão.

Um dia, brilharão,

olhos lavados

em límpida água

filtrada na claridade

da luz.


maria eduarda

sexta-feira, novembro 19, 2010

A auto-crítica

Julgo-me pela sensação obrigatória de autocrítica. No início sinto que me compreendo perfeitamente. Então digo: ninguém me conhece melhor do que eu, e fico apaziguado. Depois começo a andar às voltas com a minha própria consciência e, de seguida, sou apanhado num turbilhão de sentimentos contraditórios que me afundam, dividem em dois e me tornam ambíguo. Logo de seguida, lembro-me do provérbio: para podermos julgar alguém, é necessário, antes, colocarmo-nos no seu lugar. Mas quando nos colocamos no lugar do outro, neste caso de nós próprios, sentimos exactamente o mesmo que o outro sente. Tornando, assim, o julgamento impossível. Ora, é precisamente essa incapacidade de me colocar no lugar do outro eu que me impossibilita de autocriticar-me. E volto a apaziguar-me, até recomeçar tudo novamente.


Jaime bulhosa

quarta-feira, novembro 17, 2010

Parabéns...


«Pode a distância separar-te dos teus amigos?

Se queres estar junto de alguém que amas, não te parece que já lá estarás?»


Richard Bach, Não há Longe Nem Distância...




Felizmente, as verdadeiras amizades, não dependem do espaço, nem do tempo...

Aqui fica um forte abraço à Didium,

4 dias depois do teu aniversário, fora de tempo, mas espero que ainda a tempo ;)




"Não há Longe Nem Distância":

sábado, novembro 13, 2010

livros...

No outro dia, comprei (mais) uma Alice no País das Maravilhas. Quando pedi para embrulhar o livro para oferta, a livreira perguntou: é para adulto ou para criança? Devolvi a pergunta com outra: quantos livros permitem esta dúvida, além da Alice? Não imagino alguém perguntar se Os Maias ou o Sexus são um presente para adulto ou para criança. Nem a questionar se O Pêndulo de Foucault ou as Memórias de Adriano deverão ser embrulhados com um papel repleto de ursos, balões ou rebuçados. Ou a colocar a hipótese de A República, O Estrangeiro, A Faca não corta o fogo, A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer ou o Tractatus Logico-Philosophicus serem oferecidos a uma criança. Apesar desta Alice ser para um adulto, apeteceu-me responder que era para uma criança, como se o leitor tivesse as duas idades. E fosse crescendo ou diminuindo, conforme o lado do cogumelo trincado.

Maria João Freitas