Obedecem-me agora muito menos,as palavras. A propósito
de nada resmungam, não fazem
caso do que lhes digo,
não respeitam a minha idade.
Provavelmente fartaram-se da rédea,
não me perdoam
a mão rigorosa, a indiferença
pelo fogo-de-artifício.
Eu gosto delas, nunca tive outra
paixão, e elas durante muitos anos
também gostaram de mim: dançavam
à minha roda quando as encontrava.
Com elas fazia o lume,
sustentava os meus dias, mas agora
estão ariscas, escapam-se por entre
as mãos, arreganham os dentes
se tento retê-las. Ou será que
já só procuro as mais encabritadas?
Eugénio de Andrade, "O Sal da Língua", in Poesia
Concordo inteiramente com a sua apreciação ao texto do meu blog, mas também reconheço que muitas vezes, dependendo da escola, do meio social em que se insere e do tecido familiar dos alunos, que "felizmente que existe uma escola a tempo inteiro e sobretudo, o que é mais importante, que existem PROFESSORES a tempo inteiro".
ResponderEliminarEu cresci muito, a partilhar com os meus meninos as suas vidas, as angústias, medos, incertezas e a sentir a sua mudança biopsicosocial.
Tenho muitas histórias,
Algumas delas ainda hoje me arrepiam, me fazem soltar as lágrimas, mas outras me propoecionam uma reacção de felicidade e bem-estar.
Adorei a minha profissão. Reconheço que ela está a atravessar uma época de desencanto, mas gostava que todos os colegas ao abandoná-la sentissem a alegria que sinto e a certeza de que a escola a tempo inteiro é muitas vezes essencial.
Um abraço
Licas
Também gosto das palavras!
ResponderEliminarE as palavras de Eugénio de Andrade são especiais. É, sem dúvida, um dos meus poetas favoritos.
Bom dia.
ResponderEliminarJá há dias que não visitava o blog... E agora, que bom, tantos textos para ler!
Demoro-me nas palavras...
Leio-as, devoro-as!....
Beijinhos