quinta-feira, fevereiro 24, 2011
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
quarta-feira, janeiro 12, 2011
terça-feira, dezembro 28, 2010
Especialmente para ti
Menino(a),
Já te dei gramática, interpretação, atenção,
Já viajei contigo através de histórias reais, de sonhos,
Já ouvi algumas queixas ou gritei por seres incorrecto,
Já te ensinei a crescer, acreditei em ti, corrigi-te, repeti,
Já recebi sorrisos teus, ingratidões,
Já me fizeste alguém maior por te conhecer…
O professor dá, dá de si, do coração, dá português ou matemática,
Mostra-te um caminho para seres homem/mulher…
Hoje, olhei o frio do outro lado da janela,
Senti a brisa do Natal a chegar com luzes, fitas coloridas, embrulhos,
Pensei na família, nos amigos, nos alunos…
Pensei que queria dar-te algo especial,
Um presente que levasses contigo pela vida fora,
Que não tivesse tamanho nem material,
Folheei o dicionário, distraída, e escolhi para ti a mais bela palavra,
Que tudo tem nela, a vida, a ilusão, o amor, uma canção.
Escolhi a palavra POEMA.
Há poemas com melodias,
Em palavras que rimam
Sem correrias,
E nos ensinam
A magia dos dias,
Nos sussurram vidas e ilusão….
Há poemas com ritmo!
Força,
Música,
Palavras com pressa,
Que gritam,
Ou marcham,
Ou apenas nos mostram,
Que depois da noite, sempre vem o dia!
Há poemas que se sentem,
Como se fossem borboletas a viver no coração,
Como se tirassem do sol um raio de luz
E nos cobrissem de brilho.
Há poemas que denunciam injustiças,
A Fome e a Guerra,
A Dor e a Violência.
Há, porém outros, que vislumbram a Esperança,
E cantam a Paz, o Amor, o Espírito, o Amanhã,
Há poemas que descrevem tão bem,
que nos fazem ver sítios ou gentes que nunca visitámos….
Escolhi, para ti, a palavra POEMA.
POEMA…
Toma, é tua, leva-a com cuidado,
Shhhhhhh……………
Pega nela suavemente,
Observa-a,
Ergue-a nas tuas mãos,
Mima-a, afaga-a,
Agarra-a com força…
sábado, dezembro 25, 2010
anotando...
« Sexta-feira 28 de Agosto de 2009
Eduardo Agualusa, Milagrário Pessoal
domingo, dezembro 19, 2010
sexta-feira, novembro 19, 2010
A auto-crítica
Jaime bulhosa
quarta-feira, novembro 17, 2010
Parabéns...

sábado, novembro 13, 2010
livros...
terça-feira, outubro 26, 2010
segunda-feira, outubro 25, 2010
quinta-feira, outubro 14, 2010
Obstáculos
Este texto que estou a reproduzir aqui não é na realidade um conto, mas antes uma meditação guiada, delineada em forma de sonho destinado a explorar as verdadeiras razões de alguns dos nossos fracassos. Permito-me sugerir-lhe que o leia atentamente, tentando deter-se uns instantes em cada frase, visualizando cada situação.
Vou caminhando por uma vereda.
Deixo que os meus pés me levem.
Os meus olhos pousam-se nas árvores, nos pássaros, nas pedras.
No horizonte recorta-se a silhueta de uma cidade.
Fixo nela o olhar para a distinguir bem.
Sinto que a cidade me atrai.
Sem saber como, dou-me conta de que nesta cidade posso encontrar tudo o que desejo.
Todas as minhas metas, os meus objectivos e os meus logros.
As minhas ambições e os meus sonhos estão nesta cidade.
Aquilo que quero conseguir, aquilo de que necessito, aquilo
que eu mais gostaria de ser, aquilo a que aspiro, aquilo que tento, aquilo pelo que trabalho, aquilo que sempre ambicionei, aquilo que seria o maior dos meus êxitos.
Imagino que tudo está nessa cidade.
Sem duvidar, começo a caminhar até ela.
Pouco depois de começar a andar, a vereda põe-se a subir pela encosta acima.
Canso-me um pouco, mas não importa.
Sigo.
Avisto uma sombra negra, mais adiante, no caminho.
Ao aproximar-me, vejo que uma enorme vala impede a minha passagem.
Receio… Duvido.
Desgosta-me não conseguir alcançar a minha meta facilmente.
De todas as maneiras, decido saltar a vala.
Retrocedo, tomo impulso e salto…
Consigo passá-la.
Recomponho-me e continuo a caminhar.
Uns metros mais adiante, aparece outra vala.
Volto a tomar impulso e também a salto.
Corro até à cidade: o caminho parece desimpedido.
Surpreende-me um abismo que detém o meu caminho.
Detenho-me.
É impossível saltá-lo.
Vejo que num dos lados há tábuas, pregos e ferramentas.
Dou-me conta de que estão ali para construir uma ponte.
Nunca fui habilidoso com as minhas mãos…
… penso em renunciar.
Olho para a meta que desejo… e resisto.
Começo a construir a ponte.
Passam horas, dias, meses.
A ponte está feita.
Emocionado, atravesso-a e ao chegar ao outro lado… descubro o muro.
Um gigantesco muro frio e húmido rodeia a cidade dos meus sonhos…
Sinto-me abatido…
Procuro a maneira de o evitar.
Não há forma.
Tenho de o escalar.
A cidade está tão perto…
Não deixarei que o muro impeça a minha passagem.
Proponho-me trepar.
Descanso uns minutos e tomo ar…
Rapidamente vejo,
de um lado do caminho,
uma criança que olha para mim como se me conhecesse.
Sorri-me com cumplicidade.
Faz-me vir à memória como eu próprio era… quando criança.
Talvez por isso me atrevo a expressar em voz alta a minha queixa.
— Porquê tantos obstáculos entre o meu objectivo e eu?
A criança encolhe os ombros e responde-me.
— Porque mo perguntas a mim?
Os obstáculos não existiam antes de tu chegares…
Foste tu que trouxeste os obstáculos.
Jorge Bucay
"Contos para pensar"
terça-feira, outubro 12, 2010
.. os músculos das palavras?
João Cabral de Melo Neto
quinta-feira, outubro 07, 2010
Com sentir
Prémio Nobel da Literatura 2010
Mario Vargas Llosa (Reuters)O escritor peruano Mario Vargas Llosa é o Prémio Nobel da Literatura de 2010, foi anunciado hoje em Estocolmo pela Academia Sueca.“Muito comovido e entusiasmado.” Assim se sentiu Vargas Llosa ao saber que era seu o Nobel da Literatura deste ano. Foram as primeiras declarações do escritor, feitas à agência de notícias peruana Andina e citadas pela Lusa.Vargas Llosa está em Manhattan, onde se encontra durante o período em que está a leccionar na Universidade de Princeton, soube o PÚBLICO na Feira do Livro de Frankfurt. "Todos os anos ele sonhava com isto e sempre lhe dissémos que era este o ano", comentava a directora de marketing da Alfaguara (do grupo Santillana), Angeles Aguilera, ao PÚBLICO.O peruano, de 74 anos, foi distinguido "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos", justifica a Academia em comunciado divulgado poucos minutos após o anúncio do Nobel.
As Publicações Dom Quixote, editora da maior parte da obra do escritor em Portugal, congratularam-se pela distinção em comunicado. "Depois de vários anos em que o seu nome foi sucessivamente apontado como vencedor do Nobel", lê-se, "a Academia Sueca decidiu, finalmente, premiar a obra de Vargas Llosa, conhecida e admirada em todo o mundo."
Francisco José Viegas, director editorial da Quetzal, que publicará em 2011 o mais recente romance do escritor, considerou a escolha "absolutamente inesperada", isto, "tendo em conta a tradição dos últimos anos, pelo menos, ou das últimas décadas, do Nobel". Em declarações à Lusa desde Frankfurt, onde acompanha a feira do livro da cidade alemã, Francisco José Viegas definiu Mario Vargas Llosa como um autor que "estuda o poder, estuda as formas de poder, as formas de exercício do poder e também estuda um pouco aquilo que é a memória revolucionária da América Latina”. A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa é “um grande incentivo” a todos os que se preocupam com os países onde não há democracia ou a liberdade está ameaçada”, disse o filho do escritor
quarta-feira, outubro 06, 2010
Dias cinzentos...

quinta-feira, setembro 30, 2010
Reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam
quarta-feira, setembro 22, 2010
Sensatez
domingo, setembro 19, 2010
Diário de barro
Para absurdidade, basta estar aqui lançada numa rua desconhecida e comprida, tendo como paisagem frontal um depósito atarracado de água entre uns parcos bancos de jardim desajeitadamente intencional.
... as primeira impressões são analíticas e mal humoradas, ainda que o espírito sensato busque desesperadamente o equilíbrio harmónico (todos os anos no fim do verão, este desenlace com o habitual acontece-me).
Sentada à mesa, do lado direito existe uma lareira a usar e em frente uma porta imensa cheia de vidros, onde se esbate o meu reflexo também sentado...acho que é o único sinal de vida aqui existente, a simplicidade sombria de uma forasteira. O demais está acalentado por um cheiro de estranheza.
Vejo o dito espaço de cama e as sempre mesinhas aos pares, a soletrarem só os humanos são gares onde se penduram solidões como tiras de corpos e eu, sempre sem adivinhar por onde sair para o dia lá fora aqui dentro, se pela direita num namoro ao desalinho dos cds, se pela esquerda agarrada à ideia de não tropeçar na cauda do candeeiro domesticado pelas riscas do tapete.
“ Barco do Amor, Barco do Amor”... o quarto sem mais passageiros que eu imaginando. A sua acastanhada quadratura atada à memória de um outro outono num outro acastanhado quarto de uma outra rua num outro canto do país com outras amabilidades e outros cantos de boca a jorrarem legendas.
Os passos não retidos no tempo a tornarem-me oleira... não aprecio viver com o passado aconchegado, como um pescoço antigo no seu cachecol de lã, se o não posso tornar presente entre os dedos estremecidos de agora.
É outro alguém que lá está, no reflexo dos vidros em frente – imagino a sua história de vida ... algures.
Peço emprestado - mal me envolvi com o não saber de mim aflita com o pensamento e tudo fora de sítio – um rádio de qualquer tamanho (como quem anseia por uma refeição farta, a três quartos de uma grande viajem) para precisamente, localizar-me nalguma melodia!
Que fazer dos dias a presentear ao vento, ao vento que não varre a soleira da porta que dá para onde ?
“ É por tudo o que em nós corre que se vive e que se morre”, cantarolo uma música...
1 Setembro, Almeirm, anos noventas
Diário de Barro




